Aumento do mínimo injeta R$ 64 bi na
economia e dá fôlego ao PIB em 2012
O
reajuste de 14,3% no valor do salário mínimo, que passa dos atuais R$ 545 para
R$ 625, segundo fonte no Planalto, em janeiro, deverá injetar cerca de R$ 64
bilhões na economia brasileira em 2012. A destinação desses recursos para
consumo ou pagamento de dívidas tende a acelerar os negócios e permitir que o
Produto Interno Bruto (PIB) volte a crescer no primeiro trimestre do ano que vem,
depois de ficar praticamente estagnado ao longo do segundo semestre de 2011.
"Nossa
estimativa é de que o PIB brasileiro volte a crescer em um ritmo de 0,8% no
primeiro trimestre de 2012, principalmente por causa do impulso dado pelo
salário mínimo em um período que tradicionalmente é fraco", diz o
economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, autor do estudo sobre o
impacto do aumento do mínimo no crescimento econômico do País.
Nesse
cenário, o aumento do mínimo em 2012 passa de vilão a mocinho. No lugar de dar
mais combustível à escalada da inflação, como criticavam economistas e
empresários, essa montanha de dinheiro passou a ser bem vinda para reacelerar a economia brasileira.
"Se
isso viesse num momento de atividade econômica excitada, promoveria muita
preocupação", diz Paulo Francini, diretor da
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
"Porém, vem em um momento em que a economia dá sinais de redução e queda
até maiores que o previsto."
Impacto.
Nos cálculos da LCA, o ganho real de 7,5% do salário mínimo deverá agregar 0,3 ponto porcentual ao crescimento do consumo das famílias,
componente que responde por 60% do PIB brasileiro sob a ótica da demanda.
Assim, o reajuste do mínimo agregaria 0,2 ponto
porcentual ao crescimento do PIB como um todo no ano que vem.
O
economista explica que o impacto relativamente pequeno sobre o PIB acontece
porque a massa de rendimentos da economia vinculados ao salário mínimo (somando
rendas do trabalho, previdenciária e assistencial) é de "apenas" 22%
da massa total brasileira.
O
aumento real de 7,5% deverá beneficiar cerca de 66 milhões de pessoas, o que
representa 46% da população que recebe algum rendimento no País. Além de
aposentados e pensionistas que recebem um salário mínimo, o cálculo inclui
ocupados com rendimento de até 1,5 salário mínimo e beneficiários da Lei
Orgânica Social (LOAS) e do Renda Mensal Vitalícia,
também atrelados ao salário mínimo.
Mas
a participação da massa de rendimentos vinculados ao mínimo
muda bastante dependendo da região. No Norte, ela é de 29% e, no
Nordeste, de 37%. Já no Centro-oeste é de 19%, enquanto no Sudeste e no Sul
fica em 17% e 18%, nessa ordem.
O Estado de São Paulo