05 dez Fecomércio prevê PIB do Brasil desacelerando para 1,7% em 2026, mas com cautela diante de riscos fiscais
Fecomércio prevê PIB do Brasil desacelerando para 1,7% em 2026, mas com cautela diante de riscos fiscais
Inflação rondando os 4%, juro caindo de forma lenta e câmbio ainda elevado justificam perda de ritmo, segundo entidade.
O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
Em um ambiente que deverá seguir com âncoras que seguram o avanço da atividade econômica no país, mesmo que com menor intensidade, a Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS) projeta um 2026 com um crescimento mais tímido no Brasil.
As projeções da entidade, apresentadas em coletiva na manhã desta quinta-feira (4) em Porto Alegre, apontam para um Produto Interno Bruto (PIB) do país fechando 2026 em 1,7%. Caso se confirme, seria um patamar abaixo do PIB projetado para 2025, que ronda em torno de 2,5%, mas com viés de baixa para mais próximo dos 2%.
O consultor econômico da entidade, Marcelo Portugal, afirma que essa projeção de desaceleração do PIB é baseada em um contexto econômico que ainda vai contar com uma expectativa de inflação a 3,9%, juro caindo de forma lenta e câmbio ainda elevado, girando em torno de R$5,40.
Portugal destaca que o fato de 2026 ser um ano eleitoral pode alterar esse cenário. O modelo feito pelo consultor leva em conta um cenário com estabilidade da política econômica. Caso o ambiente real fuja disso, com embaraço no campo fiscal interno, o crescimento econômico pode ser ainda mais afetado, segundo o economista:
— Tem uma série de riscos que a gente gaste ainda mais. Por exemplo, mesmo com o arcabouço fiscal, a dívida pública não para de crescer. Tem uma série de gastos que a gente está tirando do arcabouço, como se o gasto desaparecesse ao fazer isso.
Portugal também alerta para possíveis efeitos de uma provável mudança no Ministério da Fazenda, prevista para ocorrer em abril de 2026. O impacto dessa troca ainda é incerto, o que coloca mais um asterisco no desempenho da economia no país no próximo ano:
— A gente não sabe quem vai ficar no lugar dele, se vai ser alguém com a mesma capacidade política.
No mercado externo, tensões geopolíticas também podem deixar a economia mais nebulosa no próximo ano, segundo o economista.
Setorialmente, Portugal estima que a indústria tende a sofrer mais em um ambiente com economia desacelerando no país. Serviços e, principalmente, comércio podem ter algum avanço pontual diante de aumento do gasto fiscal.
Rio Grande do Sul
Para o RS, a Fecomércio-RS projeta PIB de 2,7% em 2026 diante de recuperação da economia gaúcha e da agropecuária após uma safra ruim. Mesmo assim, destaca que ainda existem incertezas climáticas e no campo das estimativas de safra.
A entidade e Portugal também alertam que 2026 será decisivo para a renegociação da dívida com a União no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Lançamento
O Observatório do Comércio, plataforma que reúne indicadores, como informações de emprego, empresas e volume de vendas do comércio, foi oficialmente lançado no evento. Os dados são calculados pelo Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (IFEP-RS). O diretor executivo do IFEP-RS, Lucas Schifino, afirmou que o painel serve como uma ferramenta importante para desenvolvimento do setor fornecendo ferramentas que ajudam empresários e gestores públicos.
O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, destacou o papel do observatório em tomadas de decisões mais assertivas e no fortalecimento da nossa economia. Bohn também citou a importância do equilíbrio fiscal, lembrando que esse compromisso precisa estar na plataforma das eleições presidenciais do próximo ano. Também defendeu a redução da carga tributária:
— Continuaremos buscando a redução da carga tributária e a simplificação tributária para impulsionar a competitividade das empresas e fomentar o crescimento econômico, aliviando o peso sobre os empreendedores — destacou
As projeções da Fecomércio-RS para 2026
- PIB Brasil: 1,7%
- PIB – RS: 2,7%
- Inflação: 3,9%
- Juro: 11,50%
- Câmbio: R$ 5,40
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