RS teve 91 trabalhadores resgatados de situação análoga à escravidão em 2025

RS teve 91 trabalhadores resgatados de situação análoga à escravidão em 2025

Publicado em 19 de janeiro de 2026

Foram realizadas 120 inspeções que  identificaram irregularidades em 17 estabelecimentos, principalmente no setor agrícola.

Em 2025, 91 trabalhadores foram resgatados de situações análogas à escravidão no Rio Grande do Sul, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). No período, 120 estabelecimentos passaram por ações de inspeção. Em 17 deles houve confirmação de irregularidades, o que resultou nos resgates.

O chefe da fiscalização do trabalho no Estado, Gerson Soares, afirma que a caracterização ocorre quando há submissão a trabalhos forçados, jornadas exaustivas, condições degradantes ou restrição da liberdade de locomoção. A maior parte dos resgates ocorreram em trabalhos  relacionados à agricultura.

— As condutas são mistas e não cumulativas. Ou seja, basta uma delas — diz Soares.

A fiscalização considera as seguintes situações:

  • Trabalhos forçados: quando há coerção ou ameaça para que a pessoa exerça atividade laboral;
  • Jornadas exaustivas: quando o ritmo e a carga de trabalho geram esgotamento físico ou mental;
  • Condições degradantes: ambientes insalubres ou desumanos, sem higiene, segurança ou dignidade;
  • Restrição de liberdade: impedimento do direito de ir e vir, inclusive por controle de transporte ou retenção de documentos.

Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o Estado registrou 245 denúncias de trabalho análogo à escravidão no ano passado. O número não abrange todos os relatos, já que outros órgãos, como o Ministério Público do Trabalho e o próprio Ministério do Trabalho e Emprego, também recebem notificações.

Soares explica que as denúncias encaminhadas ao MDHC são enviadas à Secretaria de Inspeção do Trabalho. Lá passam por triagem, que define o que será investigado. Os casos considerados relevantes entram na programação de fiscalizações, com nova análise para determinar a prioridade de atendimentos.

Fonte: Giane Guerra
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