31% das chefias de TI consideram substituir parte das equipes por IA em até três anos

31% das chefias de TI consideram substituir parte das equipes por IA em até três anos

Publicado em 19 de março de 2026

Pesquisa com 129 lideranças no Brasil indica que os funcionários mais atingidos seriam os das áreas administrativa e operacional.

Trinta e um por cento das lideranças de TI no Brasil acreditam ser “plausível” que agentes de inteligência artificial (IA) substituam, pelo menos, 20% dos funcionários em até três anos.

A conclusão aparece em uma pesquisa realizada pela Logicalis, empresa global de soluções e serviços de TI, em parceria com a consultoria Stratica. O levantamento, obtido com exclusividade pelo Valor, foi feito entre agosto e setembro de 2025 com 129 líderes da área de TI de empresas de diferentes segmentos.

“O número de lideranças [31%] com esse pensamento é significativo porque mostra que a substituição de funcionários deixou de ser um cenário teórico e já é percebida como uma possibilidade concreta”, avalia Cláudia Muchaluat, CRO (chief revenue officer ou diretora de receita) da Logicalis Brasil. “Ao mesmo tempo, o fato de 69% discordarem da ideia revela que não há um consenso. O tema ainda é cercado de incertezas, maturidade [tecnológica] desigual e resistência cultural.”

De acordo com a pesquisa, os funcionários elegíveis à substituição seriam os profissionais que atuam majoritariamente com tarefas administrativas, analíticas e operacionais repetitivas. “Isso inclui áreas como backoffice, financeiro, atendimento interno, RH operacional, compras, suporte administrativo e funções que lidam com relatórios, consolidação de dados e rotinas padronizadas”, detalha a executiva. “Não se trata de setores específicos, mas de atividades com alto potencial de automação.”

Estratégia de IA

Outro dado que chama a atenção no estudo é a contradição entre expectativa e preparo em relação à IA, diz Muchaluat.

“Enquanto 63% acreditam que, em até três anos, a IA deixará de ser apenas ‘automação básica’ para assumir aplicações mais avançadas sugeridas pelas áreas de negócio, 74% afirmam que os cursos on-line oferecidos hoje não são suficientes para habilitar os colaboradores”, compara. “Ou seja, há uma expectativa de avanço acelerado da tecnologia, mas a base de capacitação ainda é frágil. O que indica um risco estratégico ou uma ambição [de execução] maior do que a preparação das equipes.”

Diante do resultado da pesquisa, fica claro que as empresas precisam de uma estratégia consistente de IA, com metas de negócio definidas, foco em casos de uso prioritário e indicadores de retorno, aponta.

“Não basta disponibilizar treinamentos básicos”, sugere. “É necessário promover uma capacitação prática e contínua, alinhada aos desafios de cada área.”

O fortalecimento da cultura organizacional também será decisivo nesse momento, destaca. “A maioria dos entrevistados [87%] aponta que a produtividade com a IA está mais ligada à cultura do que à tecnologia”, diz.

A transparência na comunicação sobre o assunto é outro fator-chave para reduzir inseguranças e esclarecer o papel da automação no futuro do trabalho, acrescenta. “Antes de implementar qualquer solução, é essencial que as companhias revisem processos e corrijam falhas, garantindo que a tecnologia seja aplicada para gerar eficiência e não apenas replicar problemas existentes em formato digital.”

Fonte: Valor Econômico
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