4 em cada 10 jovens sem emprego procuram trabalho há mais de um ano

4 em cada 10 jovens sem emprego procuram trabalho há mais de um ano

Publicado em 17 de outubro de 2023

Quanto mais tempo fora do mercado de trabalho, mais difícil é para um trabalhador se colocar.

 A parcela dos desempregados que buscavam trabalho há mais de um ano disparou entre 2012 e 2022, mas o aumento mais intenso foi entre os jovens, mostra estudo do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds).

Na faixa entre 18 e 24 anos, a fatia era de 34,6% em 2012 e subiu para 39,9% em 2022, segundo o trabalho, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. No grupo de 25 a 29 anos, o salto foi de 33,8% para 39,9%, respectivamente. Já naqueles entre 30 e 64 anos, a parcela avançou de 39,3% em 2012 para 40,6% em 2022.

E esse crescimento tinha ocorrido mesmo antes da pandemia. Em 2019, a participação do desemprego superior há um ano era de 42,7% no grupo de 18 a 24 anos e de 44,8% na faixa de 25 a 29 anos.

“A década foi sofrida para os trabalhadores, após a recessão de 2015/2016, mas o grupo mais jovem foi o mais afetado”, afirma o diretor-presidente do Imds, Paulo Tafner.

Quanto mais tempo fora do mercado de trabalho, mais difícil é para um trabalhador se colocar. Aos poucos, perde habilidades e práticas ligadas à sua rotina. Entre jovens, esse desemprego mais longo ocorre ainda na etapa de qualificação, o que traz ainda mais consequências, diz o economista.

Professora do Insper, Laura Muller Machado afirma que não é possível confirmar as razões desse aumento do desemprego mais longo, mas acredita que dois fatores podem contribuir para esse movimento: a baixa qualidade da educação e as elevadas transferências de renda.

“Uma das hipóteses mais fortes é que esses jovens têm baixa qualificação profissional. Os problemas de antes aumentaram na pandemia. O mercado não tem aceitado bem esse jovem. Mas também tem um componente da população vulnerável. O aumento dos valores de transferência de renda pode ser um desincentivo.”

O estudo do Imds reúne outros indicadores sobre o perfil atual da escolaridade dos jovens e de sua inserção no mercado de trabalho. Na faixa entre 18 e 24 anos, 50% concluíram o ensino médio.

Fonte: Valor Econômico
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