06 dez 7 em cada 10 trabalhadores sem carteira querem vaga formal
7 em cada 10 trabalhadores sem carteira querem vaga formal
Desejo é maior entre quem ganha até 2 mínimos, diz pesquisa da FGV.
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Sete de cada dez trabalhadores por conta própria ou sem registro gostariam de mudar para uma ocupação que fosse ligada a uma empresa pública ou privada. É isso o que mostra a Sondagem do Mercado de Trabalho, nova pesquisa lançada hoje pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
O levantamento, feito com 2 mil pessoas com mais de 14 anos, aponta que 69,6% dos trabalhadores por conta própria ou sem registro indicaram que gostariam de ter algum vínculo formal com empresa, enquanto 30,4% prefeririam permanecer na situação atual.
Rodolpho Tobler, economista e pesquisador do FGV Ibre e reponsável pela sondagem, ressalta que os dados coletados confirmam o que já se observava na Pnad Contínua. Houve uma redução da taxa de desemprego até maior que o esperado, com crescimento da população ocupada, mas a renda não acompanhou essa melhora do mercado de trabalho e ainda está abaixo do período pré-pandemia.
“A sondagem mostra um cenário parecido [com a Pnad]. Quem trabalha por conta própria quer mais previsibilidade, quem tem menos renda quer carteira assinada, quer benefício, que uma segurança maior”, diz Tobler.
Nessa primeira divulgação de dados da sondagem, o FGV Ibre observa que, do total de trabalhadores por conta própria entrevistados, 33,1% gostariam da formalização por desejo de ter rendimento fixo, enquanto 31,4% vislumbram benefícios que as companhias costumam dar. Outros 5,1% apontaram outros fatores.
Por outro lado, 14,3% dos trabalhadores por conta própria entrevistados não querem mudar sua condição por gostarem da flexibilidade de horários, enquanto 11,9% acreditam que conseguem rendimentos maiores com a atual ocupação. Outros 4,2% citaram outros fatores para não mudar a forma de trabalho.
O levantamento mostra que o desejo de ser empregado em empresa pública ou privada é maior entre os trabalhadores que ganham salários menores. Entre aqueles que ganham até dois salários mínimos, 74,9% gostariam de estar em uma companhia privada ou pública, percentual que cai para 56,7% entre os que recebem mais de dois salários mínimos com o rendimento do trabalho.
Nesse recorte, ter rendimento fixo seria a razão do desejo de trabalhar em empresa pública ou privada para 37,8% dos conta própria ou sem registro que ganham até dois salários mínimos.
Outra pergunta foi sobre o desejo de formalização, questão direcionada a todos os que não possuíam nenhum tipo de registro (trabalhadores sem carteira assinada, empregadores e por conta própria sem CNPJ). A pesquisa mostra forte desejo de formalização, uma vez que 87,7% dos trabalhadores que se enquadram como “sem registro” afirmam que gostariam de ter uma ocupação mais formalizada. Apenas 12,3% preferiam se man ter sem registro.
Mais uma vez, esse desejo se mostrou maior entre aqueles com menores rendimentos – 89,5% dos que ganham até dois salários mínimos. “Quem está mais satisfeito é quem tem renda mais alta. O motivo da insatisfação, majoritariamente, é a remuneração baixa”, diz o economista.
Tobler destaca que 72,2% dos trabalhadores estão satisfeitos com seus trabalhos, mas entre aqueles que ganham até dois salários mínimos essa satisfação é de apenas 68,2%, patamar que sobe para 89,8% entre os que ganham mais de dois salários. Além disso, o principal motivo para a insatisfação – apontado por 64,2% dos que se disseram insatisfeitos – foi a baixa remuneração. “A recomposição da renda é o grande desafio que observamos agora e será no médio e longo prazos”, afirma.
A sondagem também avaliou, entre os quesitos especiais, que 54,2% dos entrevistados acham que a tecnologia vai ajudar no trabalho e aumentar a qualidade de vida, enquanto 15,2% acham que o emprego será substituído por uma máquina ou pessoa trabalhando remotamente e 30% não veem influência da tecnologia. Além disso, não estar bem financeiramente deixa 67,6% dos entrevistados “muito preocupados”. Por fim, 58,7% acham improvável ou muito improvável perder a sua fonte de renda nos próximos 12 meses e em caso de perda do emprego, 66,5% se sustentariam por até três meses.
No primeiro ano, as divulgações serão trimestrais e a próxima será em janeiro. Uma vez atingida uma série história “robusta”, as divulgações serão mensais, explica Tobler. A expectativa é que os resultados permitam mapear tendências e percepções da população.
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