Acionistas contestam salários e condições de trabalho na Amazon

Acionistas contestam salários e condições de trabalho na Amazon

Publicado em 25 de maio de 2022

Assembleia geral da companhia discutirá temas polêmicos trazidos por investidores.

Acionistas da Amazon contestarão a empresa em questões como a remuneração dos executivos, a transparência tributária, as condições de trabalho e a sindicalização dos funcionários na primeira assembleia anual de Andy Jassy como CEO da gigante do comércio eletrônico e da computação na nuvem.

A empresa de US$ 1 trilhão se opõe a todas as 15 propostas apresentadas por acionistas, o maior número desde 2010, segundo a documentação oficial enviada às autoridades reguladoras. Nesse período, nenhuma proposta conseguiu apoio de mais de 50% e o resultado das votações historicamente tem acompanhado as recomendações do conselho de administração. Jeff Bezos, fundador e ex-executivo-chefe da empresa, controla 12,7% dos votos.

Ainda assim, a pressão dos acionistas pode obrigar a companhia a alterar suas políticas e práticas, uma vez que as gigantes tecnológicas vêm sendo cada vez mais contestadas por investidores que querem vê-las se tornando mais sensíveis às controvérsias públicas.

A assembleia geral anual de hoje também representa um teste de liderança para Jassy, que assumiu em julho o cargo que era de Bezos e se esforça para navegar pelos grandes desafios enfrentados pela empresa.

Essa pressão tem crescido desde o início do ano, já que as ações da Amazon se desvalorizaram quase 40% em meio à queda geral dos papéis de tecnologia, também afetadas pelos custos crescentes do braço de varejo da Amazon.

Outras “Big Tech” se mostraram vulneráveis a petições de acionistas nos últimos anos. Em março, acionistas da Apple apoiaram uma “auditoria de direitos civis” e os donos de cerca de 35% das ações se rebelaram contra a remuneração do executivo-chefe Tim Cook. Em novembro de 2021, acionistas da Microsoft apoiaram de forma esmagadora uma votação de protesto defendendo que a empresa revelasse mais sobre como lida com as acusações de assédio sexual.

Votações anteriores malsucedidas dos acionistas da Amazon, mas incisivas, levaram a empresa a publicar um relatório de impacto ambiental pela primeira vez em 2019. Mais recentemente, um relatório sobre segurança nos depósitos da Amazon confirmou que a incidência de lesões era mais elevada que a de outros nomes do setor de armazenamento.

Uma proposta para uma auditoria de igualdade racial neste ano foi retirada depois de a Amazon ter encarregado Loretta Lynch, ex-ministra da Justiça dos EUA, de realizar um relatório a respeito. O superintendente da controladoria do Estado de Nova York, Thomas DiNapoli, que havia apresentado a proposta, disse estar satisfeito com o fato de a revisão de Lynch abordar suas preocupações.

A auditoria foi proposta em 2021 e obteve 44,18% de apoio – o mais alto nível de respaldo a qualquer proposta de acionistas naquele ano.

Este ano o líder do Sindicato Trabalhista da Amazon, Chris Smalls, pedirá que a empresa emita um relatório detalhando suas políticas de “liberdade de associação” e de negociação coletiva. Smalls foi o arquiteto da primeira campanha sindical bem-sucedida em uma instalação da Amazon nos EUA.

A proposta, juntamente com outra solicitando uma auditoria independente das condições de trabalho nas instalações da Amazon, foi apoiada por influentes firmas de assessoria a investidores como a Institutional Shareholder Services (ISS) e a Glass Lewis. O fundo de pensão norueguês Norges Bank comunicou que votaria a favor de ambas as propostas.

O Norges Bank manifestou apoio semelhante ao pedido para que os relatórios tributários sejam mais transparentes. Além disso, a Glass Lewis e a Morningstar Sustainalytics orientaram os investidores a votar a favor da resolução que reformularia substancialmente as divulgações da gigante de tecnologia sobre onde e quanto ela paga em impostos pelo mundo.

Katie Hepworth, que chefia a área de tributação responsável da empresa de consultoria Pirc, favorável à resolução, disse que uma votação em que os acionistas donos de mais de 10% das ações dessem seu apoio seria “significativa” e poderia levar a Amazon a concordar com a proposta. “Esta é uma questão de investidores que estão enviando um recado sobre assuntos com os quais eles se importam”, disse.

Gestores de ativos, incluindo a Nordea e a Royal London, já manifestaram anteriormente apoio à resolução dos acionistas sobre os impostos. A Amazon informou que a exigência das divulgações significaria revelar informações competitivas delicadas.

Vários grupos também estão contestando o conselho de administração no que se refere à liderança da empresa, incluindo o pacote salarial de US$ 214 milhões de Jassy. A ISS avalia que a remuneração do novo chefe e de outros altos executivos carece de “critérios objetivos de desempenho, exacerbando um desalinhamento entre remuneração e desempenho”.

Fonte: Valor Econômico
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