09 ago Adiada no Senado, desoneração da folha de pagamento ganha novo capitulo em uma década de tentativas de regulação
Adiada no Senado, desoneração da folha de pagamento ganha novo capitulo em uma década de tentativas de regulação
Em discussão na quarta-feira (7), medida teve a votação adiada para a próxima semana.
A desoneração da folha de pagamentos para 17 setores considerados intensivos em contratações é uma das polêmicas tributárias que se arrastam por anos, década nesse caso, sem solução. A medida que esteve em discussão no Senado ao longo de toda quarta-feira (7), teve a a votação adiada para a próxima semana, foi criada em 2011, no primeiro ano do governo Dilma Rousseff, para entrar em vigor no exercício seguinte.
Coincide com a trajetória que levou o país a registrar a menor taxa de desemprego da série histórica: 6,3%, em dezembro de 2013, exatos 24 meses após a sua implantação quando o índice medido pelo IBGE exibia viés de alta e havia batido em 8%.
O modelo, que necessitava ser revalidado para o ano seguinte, permitiu às empresas contempladas (eram mais de 50 setores, hoje são 17) optar entre contribuição patronal (CSLL) de 20% sobre os salários ou por recolher 1% ou 2% (atualmente, oscila entre 1% e 4,5%) sobre o faturamento.
Para as empresas, a tese faz todo o sentido. Significa reduzir o pagamento de tributos quando há queda de receitas. Para o governo, nem tanto. Naquela época, R$ 22 bilhões deixavam de pingar nos cofres, sem que se tivesse cálculo de efetividade entre as vagas criadas e as renúncias fiscais. Dilma, a criadora, mataria a criatura, em 2016, quando recebeu a conta fiscal da reeleição e da realização da Copa e da Olímpiada. Caiu antes de colocar em prática a intenção.
Michel Temer, orientado por um dos seus escudeiros, Marcos Cintra, então no Inep, não mexeu no vespeiro. O mandato-tampão se encerrou, mas Cintra não saiu de cena. Foi alçado à equipe econômica de Paulo Guedes e Jair Bolsonaro. Manter a desoneração virou promessa de campanha. Na prática, Bolsonaro empurrou a pauta com a barriga o quanto pôde. Em 2021, a renovação só foi aprovada na última sessão do Congresso antes do recesso, o que se repetiu em 2022.
Lula tomou posse e deixou a critério do Congresso a regulação permanente. Mas a proposta aprovada nas duas Casas não passou pela caneta presidencial, que vetou na íntegra o texto e deu início ao novo capítulo que se desenrola no Congresso. Um aspecto que pode parecer óbvio: no geral, é pouco comum que países desenvolvidos tributem o trabalho. Afinal, é esse o ponto de partida para gerar renda e, por consequência, PIB.
Números atualizados
Levantamento da Instituição Fiscal Independente (IFI) movimentou os debates sobre desoneração. Em um dos cenários, sem o aumento da CSLL, que é o que tentam evitar os empresários, em nenhum ano, entre 2024 e 2027, seria atingido 40% do valor da renúncia fiscal. Por outro lado, com elevação de 1% na cobrança do tributo, a compensação seria mais do que suficiente e atingiria o equivalente a 151% da desoneração.
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