Aéreas propõem corte de salários

Aéreas propõem corte de salários

Publicado em 20 de março de 2020

Redução na remuneração total pode chegar a 80% de abril a junho, segundo sindicato.

As empresas aéreas Gol, Latam e Azul decidiram colocar parte das suas equipes em licença não remunerada e fazer reduções drásticas de jornada de trabalho e de salários. Os cortes na remuneração total de comissários e pilotos podem chegar a 80%, segundo cálculos do sindicato dos aeronautas. As medidas fazem parte dos esforços das companhias para reduzir custos, no momento em que registram quedas acentuadas na demanda e na receita por conta da disseminação do novo coronavírus.

A folha de pagamentos é a segunda maior despesa das empresas aéreas, atrás só do combustível. Os salários e benefícios representam entre 16% a 18% da receita. “Mexer na folha de pagamentos é o primeiro ponto que as empresas aéreas atacam porque é a despesa sobre a qual elas têm controle total”, diz Renato Hallgren, analista do BB Investimentos.

Hallgren calcula que se as empresas aéreas tiverem no ano uma queda de 50% na demanda, cada uma terá prejuízos de pelo menos R$ 1 bilhão, sem considerar a variação cambial. Ele estima que as aéreas precisarão fazer cortes de 30% a 50% na folha de pagamentos neste ano para equilibrar os custos.

Ondino Dutra, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), que representa pilotos, copilotos e comissários de bordo, disse que as empresas trabalham hoje com uma perspectiva de queda de 50% a 60% dos voos domésticos e redução de 95% nos voos internacionais em abril. “Para maio, a previsão é de paralisação quase completa, por falta de passageiros. Há risco real de colapso do setor.”

A Latam, a Gol e a Azul negociam com a SNA a aprovação de programas de licença não remunerada e redução de salários e da jornada de trabalho para os meses de abril a junho. Dutra disse que as assembleias com os funcionários serão feitas na semana que vem. As empresas também fizeram propostas semelhantes ao Sindicato Nacional dos Aeroviários, que representa profissionais que trabalham nos aeroportos.

As empresas precisam fazer um acordo coletivo de trabalho para por em prática seus planos.

A Azul abriu um programa de licença não remunerada, permitindo aos funcionários o acesso ao fundo de previdência da companhia. A empresa informou que tem 600 pedidos aprovados até o momento. Além disso, vai reduzir os salários dos membros do comitê executivo em 25%, até a normalização da situação e vai adiar o pagamento da participação nos lucros e resultados de 2019.

A Gol e a Latam também abriram programa de licença não remunerada. A Latam informou em nota que negocia com os sindicatos medidas para manter os empregados. Uma delas é a licença não-remunerada.

De acordo com o SNA, a Latam propôs licença não remunerada de no mínimo três meses, com a opção de saque do fundo de previdência da companhia. A Latam também propôs redução da remuneração em abril, maio e junho, com redução da jornada para 10 dias por mês. Segundo Dutra, a medida vai representar um corte de 70% a 80% na remuneração total, considerando, além de salário, verbas como adicional noturno e hora extra no domingo. Em um comunicado enviado a funcionários, a Latam anunciou um corte nos salários brutos de 10% a 50%, variando de acordo com a faixa salarial.

A Gol também propôs licença não remunerada por no mínimo três meses e corte da remuneração de 50% em abril, 60% em maio e 70% em junho, com redução da jornada de trabalho. A jornada dos funcionários internos e aeroviários (de aeroportos) será reduzida em 35%, com redução proporcional na remuneração e nos benefícios. Além disso, os diretores, vice-presidentes e o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, terão redução de 40% nos salários de abril, maio e junho. A redução pode ser prolongada por mais tempo, dependendo da evolução da crise.

A Gol vai ainda postergar o pagamento do programa de participação nos lucros e resultados de 2019 para a partir de agosto.

Ontem, as ações das aéreas abriram o pregão da B3 em queda, mas se recuperaram no fim da manhã, com a expectativa do mercado de que o governo adote mais medidas de apoio ao setor. A Gol fechou o dia em alta de 11,61%. A Azul subiu 15,65%. As American Depositary Receipts (ADR) da Latam subiram 11,93%. (Colaborou Rita Azevedo)

Fonte: Valor Econômico
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