Agora é com o Senado o fim da escala 6×1

Agora é com o Senado o fim da escala 6×1

Publicado em 29 de maio de 2026

A Câmara dos Deputados transformou o debate sobre o fim da escala 6×1 em uma das maiores batalhas políticas e sociais de 2026. Em dois turnos, os deputados aprovaram a proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, e garante dois dias de repouso remunerado. O texto agora segue para o Senado, carregando muito mais do que uma discussão trabalhista: virou disputa eleitoral, ideológica e econômica.

Transição gradual

A proposta prevê transição gradual. Dois meses após a promulgação, a jornada cairá para 42 horas. Depois de um período de adaptação de um ano, passa definitivamente para 40 horas semanais. A aprovação teve margem ampla: 472 votos favoráveis e 22 contra, no primeiro turno e 461 contra 19 no segundo. Os números mostram que a pressão popular atravessou partidos, e contaminou o ambiente político.

Reparação histórica

O líder do governo, deputado federal gaúcho Paulo Pimenta (PT, foto), tratou o tema como reparação histórica. Para ele, a escala 6×1 representa “a face mais cruel das relações de trabalho”, atingindo principalmente mulheres, mães e trabalhadores de baixa renda.

Pressão das ruas

Na mesma linha, a deputada federal gaúcha Daiana Santos (PCdoB) afirmou que o tema deixou de ser exclusividade da esquerda e amadureceu socialmente. A parlamentar relacionou a jornada extensa ao aumento de afastamentos físicos e psicológicos, e sustentou que a pressão das ruas e das redes sociais acabou empurrando o Congresso para votar a matéria.

Vida além do trabalho

Já o deputado federal gaúcho Bohn Gass (PT) apostou no discurso histórico. Disse que o Congresso pode repetir um marco semelhante ao da Constituição de 1988. Para ele, “reduzir a jornada significa vida além do trabalho; menos estresse, mais convivência familiar e até aumento de produtividade”.

Aventura eleitoral

A oposição reagiu com dureza. O deputado federal gaúcho Bibo Nunes (PL) chamou a proposta de “aventura eleitoral”, e acusou o governo Lula de usar o tema politicamente em ano pré-eleitoral. Segundo ele, “trabalhar menos e manter salários poderá gerar desemprego e pressionar empresas já fragilizadas”.

Impactos sociais

A deputada federal gaúcha Fernanda Melchionna (PSOL) acusou setores conservadores de tentarem atrasar uma pauta ligada aos interesses dos trabalhadores. Para ela, “parte da direita insiste em austeridade econômica enquanto ignora os impactos sociais da atual jornada”.

Riscos ao agronegócio

O deputado federal gaúcho Sérgio Turra (PP) alertou para os riscos econômicos, especialmente no agronegócio e na cadeia avícola. “Frigoríficos podem enfrentar dificuldades operacionais e sanitárias, caso a adaptação seja feita sem planejamento técnico”.

Respeito ao Trabalhador

O deputado federal gaúcho Ubiratan Sanderson (PL) defendeu respeito ao trabalhador, mas cobrou do governo medidas concretas para reduzir impactos no comércio e nas empresas. Sanderson defende transição gradual, desoneração da folha e maior participação do Executivo.

Tom histórico e trabalhista

Quem fez o discurso mais simbólico foi o deputado federal gaúcho Pompeo de Mattos (PDT). Em tom histórico e trabalhista, o parlamentar lembrou que quase todos os direitos do trabalhador enfrentaram resistência quando surgiram. Citou Getúlio Vargas, a licença-maternidade, as férias remuneradas, e o 13º salário criado no governo João Goulart.

Fonte: Jornal do Comércio
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