04 jul Alelo e WeWork buscam atender trabalho híbrido
Alelo e WeWork buscam atender trabalho híbrido
Vale-escritório vai permitir aos funcionários das empresas contratantes reservar o uso avulso de espaços pelo país.
Após o home office ter virado regra em muitas corporações na pandemia, agora as empresas querem a volta dos funcionários aos escritórios pelo menos algumas vezes na semana. Atentas à esta nova realidade, que ganhou voz até nas gigantes de tecnologia, como Google e Twitter, a WeWork, focada em espaços de trabalho flexíveis, e a Alelo, especializada em benefícios, estão se juntando para criar um vale-escritório.
O Alelo Workpass tem sido costurado há cerca de seis meses, contaram Claudia Woods, CEO da WeWork na América Latina, e Cesario Nakamura, CEO da Alelo.
“A pandemia forçou todos a se adaptar. E agora estamos em outra fase, talvez mais difícil, que é trazer as pessoas de volta”, afirmou Woods. A demanda de trabalhadores pelo chamado “anywhere office” (ou trabalho de qualquer lugar, numa tradução livre) motivou a WeWork a reinventar seu negócio dos tradicionais aluguéis de espaço para empresas e lançar em setembro de 2021 produtos flexíveis tanto para pessoa jurídica quanto para pessoa física – em que os contratos fixos dão lugar a contratações avulsas, por poucos dias ou apenas para uma reunião.
Em setembro de 2022, a empresa deu um novo passo ao criar um marketplace para espaços compartilhados. Em maio deste ano, os produtos flexíveis respondiam por 7% da receita da WeWork no Brasil – há um ano a fatia era de 2%.
“A busca pelo anywhere office é grande, mas a gente não podia dizer que estava em todos os lugares”, disse Woods. Os pontos estavam concentrados nos grandes centros corporativos. Hoje são mais de 500 espaços cadastrados no marketplace em 120 cidades. Essa modalidade, por sinal, tornou-se uma janela de oportunidade ao abrir a comercialização na plataforma de áreas ociosas nos andares das empresas – o setor de lajes corporativas continua bastante pressionado.
As negociações, entretanto, eram feitas individualmente com cada empresa. Foi neste momento que a estratégia de se juntar com algum grupo de benefícios se mostrou uma oportunidade. O acordo com a Alelo vai trazer um desconto de até 35% no que é praticado hoje. No coworking da avenida Faria Lima, em São Paulo, por exemplo, uma diária no modelo avulso fica na casa de R$ 120,00. Pela parceria, R$ 80. Uma hora de sala de reunião para seis pessoas no avulso sai por R$ 262,50, enquanto no Alelo Workpass deve custar R$ 210,00.
O vale-escritório será ofertado às empresas clientes da Alelo, que poderão contratar o serviço para os seus colaboradores por meio de passes. Os pagamentos serão por uso e não haverá uma cota mínima ou máxima.
Nakamura contou que a pandemia fez o setor de benefícios se reinventar e desenhar novas ofertas ao mercado. Uma delas foi o auxílio home office. Havia um medo das empresas de jogar esse tipo de pagamento em folha e o valor ser caracterizado como salário.
O executivo acrescentou que o setor de benefícios tem sido um aliado das empresas nos períodos de inflação mais alta, como um instrumento para aumentar o poder de compra dos trabalhadores sem aumentar salários.
O plano das duas companhias é fechar o ano com 10 mil usuários cadastrados para usar o vale-escritório, o que deve trazer R$ 1,6 milhão em vendas.
A diversificação de portfólio faz parte tanto da estratégia da WeWork quanto da Alelo. No caso da empresa de benefícios, a busca é por outras fontes de receita além de seu carro-chefe, o vale-refeição e vale-alimentação. Historicamente, os produtos ligados à alimentação do trabalhador respondiam por 90% da receita total. Hoje, este percentual é de 80%, sendo que 20% vem de outros serviços.
O mercado de vale-refeição passa por grandes mudanças regulatórias e de aumento da concorrência, com entrada de startups e empresas de outros segmentos. O executivo da Alelo destacou que o vale-escritório é também um movimento para cativar mais trabalhadores em meio a mudanças como a portabilidade do vale-refeição – prevista para maio de 2024.
“Cada vez mais a gente vai ter a necessidade de olhar para o RH, mas também para o colaborador, para ele continuar com o benefício visando a portabilidade lá na frente”, disse. Concorrentes como a Sodexo tem seguido a mesma direção ao trazer, por exemplo, cashback como atrativo adicional.
A Alelo destacou que desde 2020 a empresa registra crescimentos anuais de dois dígitos no seu faturamento. Para esse ano, o plano é fechar com alta de 11% – o grupo não divulga os valores.
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