Após saída de um milhão de brasileiros da faixa de ocupação, taxa de desempego tem primeira alta em um ano

Após saída de um milhão de brasileiros da faixa de ocupação, taxa de desempego tem primeira alta em um ano

Publicado em 20 de março de 2023

Dados da PNAD também mostram aumento da renda média, com 98,6 milhões de pessoas ocupadas e 8,9 milhões em busca de uma vaga.

A taxa de desemprego teve a primeira alta registrada desde o trimestre encerrado em janeiro de 2022. Em igual período deste ano, o indicador que mede a quantidade de pessoas na força de trabalho em busca de uma vaga foi de 8,4%, ante 7,9% nos três meses encerrados em dezembro. Trata-se do menor índice para este período em sete anos.

O curioso é que isso ocorre apesar da saída de 1.025 milhão de trabalhadores da estatística que mensura a população ocupada, entre novembro do ano passado e janeiro de 2023. Essa é a maior queda de toda a série histórica em igual recorte temporal da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Deste total, 511 mil eram trabalhadores informais.

 Conforme o coordenador da pesquisa do IBGE no Estado, Walter Rodrigues, essas pessoas a menos na faixa de ocupação não alteram substancialmente o indicador do desemprego, que, em outubro, contabilizava 9,022 milhões de indivíduos e, em janeiro, 8,995 milhões.

— É um dado bastante preocupante, porque é quase o dobro da maior queda para a população ocupada no período (583 mil) em 2016, quando o país já estava submerso em uma recessão. Percebia-se que o emprego subia, mas em menor velocidade, agora veio uma queda que atesta a estagnação da atividade econômica — analisa Rodrigues.

O coordenador do IBGE explica que o movimento voltou a desinflar a taxa de participação da força de trabalho, pois a grande maioria não voltou a procurar por uma colocação. Para a economista da Fecomércio-RS Giovana Menegotto, uma das explicações passa pela elevação de recursos em programas sociais de transferência de renda, caso do Auxílio Brasil, agora, Bolsa Família. Para ela, outra parcela do resultado é justificada por um ajuste sazonal de um mercado menos aquecido.

Redução é tendência, diz economista

Diante dos números, Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista sênior da área de Economia Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBRE), acrescenta que a diminuição do mercado de trabalho é uma tendência para o decorrer deste ano. O motivo está vinculado, segundo ele, à desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB), mas afirma que é cedo para colocar a performance na conta do novo governo:

— Não existe política pública capaz de gerar postos de trabalho. A única solução é uma economia aquecida, e não vemos indícios de que isso vá acontecer em curto prazo.

De acordo com o economista, um aspecto positivo é a elevação da renda média real, que bateu em R$ 2.835, após alta de 1,6% no trimestre encerrado em janeiro. O fator, assinala, pode ser um indicativo de certa “resiliência” no mercado de trabalho.

O economista da FGV Mauro Rochlin comenta que o desempenho está “diretamente ligado” aos efeitos dos atuais níveis da taxa de juros, fixada em 13,75% ao ano. Por outro lado, não acredita que a divulgação da Pnad possa influenciar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima semana:

— Vemos a criação de emprego em taxas menores, a variação quando positiva era decrescente e isso mostra que os efeitos da elevação da taxa de juros estão ocorrendo em sua plenitude (frear economia para controlar a inflação).  Mas passam a afetar em cheio o mercado de trabalho, pois a dose está descompensada.

Fonte: Gaúcha GZH
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