14 dez Ato na Câmara pede derrubada de veto ao PL da desoneração
Ato na Câmara pede derrubada de veto ao PL da desoneração
Para autor da projeto, medida gera postos de trabalho, ajuda as empresas a ampliarem seus negócios e contratar mais.
Um grupo formado por parlamentares e representantes dos 17 setores que mais empregam no país fez um ato nessa quarta-feira (13), na Câmara dos Deputados, pela derrubada do veto presidencial ao projeto de lei (PL) que prorroga a desoneração da folha de salários dessas empresas.
Estiveram presentes representantes de entidades do setor têxtil e de confecção, teles serviços, informática, telecomunicações, proteína animal e da indústria de máquinas e equipamentos. Juntos, os 17 setores geram cerca de 9 milhões de postos de trabalho no país.
“Esse projeto gera postos de trabalho, ajuda as empresas a ampliarem seus negócios, a contratar mais. O veto vai elevar o custo do emprego, vai ficar mais caro contratar pessoas”, afirmou o autor do projeto, senador Efraim Filho (União-PB). “Como são empresas que mais empregam e têm no emprego seu maior custo, a solução vai ser demitir ou substituir a mão de obra pela automação.”
Para o senador, o projeto “é bom para quem empreende e para quem trabalha”. “Daqui para frente, temos o desafio de pautar a matéria. Esse é o maior desafio, porque voto a gente tem para derrubar [o veto]. O senador Rodrigo Pacheco pautou para quinta-feira (14) e está mantido.”
Na visão de Efraim, seria “muito temerário” deixar a deliberação para a outra semana, como quer o governo. O intuito é ganhar tempo para apresentar uma proposta alternativa. Efraim considera que isso iria “confundir o debate com o Orçamento”.
“Desde o dia 24 o ministro Haddad se propôs a apresentar uma alternativa e não o fez até agora. O governo foi omisso e silente durante 10 meses de tramitação na Casa. Se no início de 2024 tiver uma proposta consensual, ela pode substituir a lei”, afirmou Efraim.
À noite, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo está tentando construir um “caminho do meio” e pode apresentá-lo nesta quinta-feira (14).
“A posição da AGU [Advocacia-Geral da União] é de que a medida aprovada pelo Congresso é inconstitucional. Nós estamos buscando um caminho para evitar judicialização, que, na minha opinião, não seria bom para ninguém, e buscar um caminho do meio. Estamos tentando construir isso”, afirmou o ministro a jornalistas, acrescentando que a reoneração parcial dos setores, numa espécie de transição, é uma das alternativas à mesa.
“Tem sido uma luta incansável levar essa política pública adiante”
Especialistas rebatem a tese de que a prorrogação seja inconstitucional. Já a relatora na Câmara, a deputada Any Ortiz (Cidadania-RS), defendeu ontem que “é importantíssima a derrubada desse veto” para a garantia de empregos. “Não só os empregos diretos, mas também os indiretos. O crescimento econômico do nosso país, a garantia da competitividade das empresas. Não há melhor política pública do que política pública que garanta emprego e renda”, afirmou Ortiz.
Ela acrescentou que o veto vai gerar aumento da carga tributária e um efeito cascata, e impactar toda a economia. “Há um entendimento entre os colegas parlamentares dos impactos negativos desse veto.”
Sobre a proposta alternativa que o governo quer apresentar, Ortiz reclamou que “desde o primeiro semestre estamos discutindo esse projeto e em nenhum momento o governo nos procurou para apresentar uma alternativa”. “Agora não há mais tempo hábil”, argumentou.
Presidente da Feninfra, que representa o setor de call center, Vivien Suruagy disse que “a desoneração mantém empregos, gera empregos e evita que tenhamos que demitir um milhão de trabalhadores”. “Isso quem está falando não são só os parlamentares, são as entidades dos trabalhadores, as entidades patronais. Perder a desoneração vai punir quem mais emprega e quem não gera empregos”, afirmou.
Segundo Suruagy, o destino de muitas empresas também está em jogo. “Não tem cabimento falar em análise de medidas alternativas. Isso deveria ter sido discutido antes, agora não dá mais tempo”, destacou a presidente da Feninfra.
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