Atuação do MPT resulta em reconhecimento de filiação de idosa que trabalhava em casa desde criança

Atuação do MPT resulta em reconhecimento de filiação de idosa que trabalhava em casa desde criança

Publicado em 2 de abril de 2026

A atuação do Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS), em conjunto com outras instituições públicas, resultou no reconhecimento póstumo de paternidade e maternidade socioafetivas de idosa acolhida em uma residência de Porto Alegre desde os quatro anos. O caso foi denunciado ao MPT como trabalho escravo doméstico. Após operação de força-tarefa organizada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/RS), e que contou com a participação do MPT, da Defensoria Pública da União (DPU) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), tendo em vista a recusa da vítima de sair do domicílio e seu reconhecimento como parte da família, foi ajuizada ação pela DPU na Justiça Estadual.

De acordo com a procuradora do trabalho, Patrícia de Mello Sanfelici Fleischmann, responsável pelo caso, embora a princípio a situação remetesse a aspectos de exploração do trabalho, houve recusa muito firme da trabalhadora de se afastar da casa, visto que se reconhecia como parte da família. “É uma situação excepcional, na qual a única forma que encontramos para protegê-la, tendo em vista seu manifesto sentimento de pertencimento à família, sua idade avançada, bem como o fato de que, desde a tenra infância, viveu naquele local e com aquelas pessoas, foi o pedido de adoção para reconhecer, então, esse vínculo familiar que lhe era atribuído, porém sem os direitos próprios a tal vínculo. Foi um modo de garantir direitos sem gerar novos traumas”.

Os dois idosos reconhecidos como pais já morreram. A filiação socioafetiva é prevista no art. 1.593 do Código Civil. Com a decisão, foi expedido mandado ao cartório para a inscrição da filiação no registro de nascimento da mulher. Ficam assim garantidos direitos sucessórios à parte.

A decisão, que levou em conta parecer exarado pelo MPT, é da juíza de Direito Carmen Lúcia Santos da Fontoura, da 1ª Vara de Família do Foro Central da Comarca de Porto Alegre. O inquérito civil do MPT foi iniciado com denúncia recebida pelo Disque 100.

Fonte: Procuradoria Regional do Trabalho da 4ª Região
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