06 nov Audiência no MTE discute políticas de prevenção de acidentes com motociclistas profissionais no Brasil
Audiência no MTE discute políticas de prevenção de acidentes com motociclistas profissionais no Brasil
MTE apresentou iniciativas para regulamentação, contudo, secretário-executivo da pasta lembrou que muitos pontos vão além da alçada do Ministério e exigem a colaboração de outros órgãos.
A redução e prevenção de acidentes envolvendo motociclistas profissionais foi o tema central de uma audiência realizada na manhã desta terça-feira (5) no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Brasília (DF), com a participação do secretário-executivo da pasta, Francisco Macena, que liderou os trabalhos; o secretário nacional de Economia Solidária, Gilberto Carvalho; e o secretário nacional de Relações do Trabalho, Marcos Perioto; além de representantes das federações nacionais de trabalhadores profissionais e independentes do setor.
Macena fez uma retrospectiva dos 30 anos de discussão sobre o tema e o crescimento da sua complexidade nesse período com a chegada da possibilidade de trabalho por meio de aplicativos. “Faz ao menos 30 anos que foi iniciado o debate sobre a necessidade de adoção dos Equipamentos Proteção Individual (EPI) para a proteção destes profissionais. Agora é hora de adotarmos medidas que efetivem essa decisão com a regulamentação dos EPis voltados para as características do trabalho neste segmento”, avaliou. Ele lembra que problemas como subnotificação de acidentes e o impacto de equipamentos inadequados resultam em lesões graves, como hérnias e problemas musculares.
O secretário-executivo apresentou iniciativas para regulamentação, citando o “baú de São Paulo”, medida pioneira que serviu de modelo para regulamentações de equipamentos de segurança. Contudo, lembrou que muitos pontos levantados pelos participantes vão além da alçada do MTE e exigem a colaboração de outros órgãos, como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Macena afirmou que, apesar dos esforços, “há limites legais que o Ministério não pode ultrapassar”, especialmente em relação às atividades que ainda não possuem formalização regulamentar.
Presente à audiência de forma remota, via internet, o senador Zequinha Marinho (PSC-PA), presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Mototaxistas e Motofretistas, manifestou preocupação com as questões previdenciárias e trabalhistas das categorias. “Defendo melhores condições de trabalho para os motofretistas, apoiando todas as reinvindicações do segmento, espalhado por todo o Brasil”, disse ele.
Também prestigiaram a audiência lideranças como Raimundo Nonato Alves da Silva, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores Motociclistas Profissionais e Autônomos (Fenamoto), Miguel Eduardo Torres, presidente da Força Sindical e Benedito Carlos dos Santos, presidente do Sindmotoca/SP.
Pressão no SUS – Dados do DataSUS apontam que os riscos para motociclistas aumentaram significativamente nos últimos anos. Entre 2011 e 2021, as internações no Sistema Único de Saúde (SUS) resultantes de acidentes com motociclistas cresceram 55%, passando de 70.508 para 115.709, conforme o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Esse crescimento tem impacto na alta taxa de hospitalizações, que foi de 5,5 por 10 mil habitantes em 2020 para 6,1 em 2021.
O crescimento da frota de motocicletas no Brasil também impacta diretamente nas taxas de acidentes. Dados do Registro Nacional de Veículos Automotores mostram que, entre 2011 e 2021, o número de veículos de duas ou três rodas aumentou em 64,7%, saltando de 18,4 milhões para 30,3 milhões. Esse aumento, impulsionado pelo crescimento dos aplicativos de transporte e delivery, contribuiu para que 35,3% das mortes no trânsito fossem de motociclistas.
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