Bancos têm 2 mil infectados e 900 agências são afetadas

Bancos têm 2 mil infectados e 900 agências são afetadas

Publicado em 24 de janeiro de 2022

O cenário ainda não é claro, mas o plano das instituições de reocupar os escritórios e consolidar o modelo híbrido, que estava a pleno vapor no fim do ano passado, deve ser reavaliado.

Diante do salto de casos de covid provocado pela ômicron, os bancos estão começando a repensar o retorno de funcionários administrativos e reforçando as medidas de segurança sanitária nas agências, que por serem consideradas um serviço essencial não podem fechar. O cenário ainda não é claro, mas o plano das instituições de reocupar os escritórios e consolidar o modelo híbrido, que estava a pleno vapor no fim do ano passado, deve ser reavaliado.

Segundo o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, desde o início de janeiro, 900 agências já foram temporariamente fechadas por terem funcionário contaminados e cerca de 2 mil bancários testaram positivo para covid. O órgão lembra que, após acordo com os bancos, ao começar a ter sintomas o bancário – e funcionários próximos – devem ser afastados e a agência precisa ser higienizada e ficar fechada em um período de 12 horas. Dessa forma, há denúncias de que muitas estão sem um número mínimo de funcionários para abrir. “Os bancos precisam, urgentemente, praticar protocolos rígidos, que se mostraram eficazes, para proteger seus trabalhadores e clientes dentro das agências”, destacou em nota Neiva Ribeiro, secretária-geral do sindicato.

Na semana passada, após uma ação do sindicato, a Justiça do Trabalho determinou que o Banco do Brasil mantenha em home office empregados que trabalham em prédios comerciais, mas sem atendimento ao público, até que haja alteração do quadro de alta proliferação do coronavírus. “Manter empregados trabalhando presencialmente sem a devida necessidade, neste momento, demonstra falta de atenção à gravidade do cenário”, disse a juíza Ana Cristina Magalhães Fontes Guedes, da 28ª Vara do Trabalho de São Paulo.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirma que os bancos mantêm o rigor nas medidas sanitárias, não sendo verdadeira a afirmação de sindicatos de que há associação do aumento de casos de contaminação aos protocolos adotados. Também ressalta que não há qualquer prejuízo na prestação de serviços financeiros e bancários à população. “É compromisso das instituições financeiras preservar a segurança de funcionários e clientes no exercício do atendimento bancário, especialmente quando se trata de segmentos mais vulneráveis da população”, diz a entidade, reforçando que mantém diálogo permanente com os sindicatos sobre a evolução da pandemia.

O BB disse segue as recomendações e os protocolos estabelecidos, obedecendo às decisões das autoridades públicas competentes. “Desde o início da pandemia, o banco tem feito esforços para proteger seus funcionários, ao tempo em que, por conta da essencialidade do serviço que presta aos seus clientes e à população brasileira, mantém seu funcionamento”. De acordo com o banco, os protocolos adotados nas suas dependências são válidos para todo o Brasil. No caso de agências, a depender do número de funcionários afastados, o atendimento pode ser mantido de forma normal ou ser mantido de forma contingenciada.

O Itaú informa que em razão do aumento do número de casos de covid-19 e de influenza neste início de ano orientou os colaboradores dos escritórios administrativos a priorizar o “home office”. “O afastamento das pessoas segue o protocolo recomendado pelo Ministério da Saúde. O Itaú tem orientado os clientes a priorizarem o uso de canais digitais, como site e aplicativos, enquanto durar a pandemia.

O Bradesco por enquanto mantém seu planejamento, atuando no modelo híbrido. Hoje, 60% do quadro das áreas administrativas trabalham presencialmente, em um sistema de revezamento de 30% em cada semana. “Desde o início da pandemia, o Bradesco vem adotando medidas permanentes de prevenção e combate à disseminação do covid-19. Ações importantes relacionadas a comunicação com funcionários e seu atendimento por profissionais de saúde, sanitização constante, sorologia para funcionários e dependentes e outras iniciativas fazem parte da jornada”.

O Santander diz que mantém os protocolos sanitários definidos para as áreas administrativas e as agências. “Conforme a necessidade, agências podem ser fechadas até que seja possível retomar a operação com segurança”. Segundo o banco, portadores de doenças crônicas, comorbidades e gestantes continuam em trabalho remoto e “a política de home office segue sendo aplicada observando o cenário externo e de cada área do banco.” Na Caixa, o banco ressalta seu papel em viabilizar as políticas sociais do governo. “A atividade bancária é um serviço essencial, em especial para a Caixa, haja vista sua capilaridade única, capaz de alcançar os cidadãos mais vulneráveis da nossa sociedade. Assim, os empregados que apresentam sintomas e/ou apresentam teste positivo para covid-19 são imediatamente afastados, seus contatantes no ambiente do trabalho são testados e os demais membros da equipe são monitorados”.

Fonte: Valor Econômico
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