28 out Bolsonaro diz que PT mente sobre mínimo
Bolsonaro diz que PT mente sobre mínimo
Notícias sobre planos da Economia de desindexar reajustes preocupam a campanha do presidente.
O presidente Jair Bolsonaro usou sua live semanal nas redes sociais para reafirmar que reajustará o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação em um eventual segundo mandato. Na transmissão, ontem, Bolsonaro também anunciou o aumento do prazo para o pagamento das operações do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) para até 72 meses.
O vazamento de planos do Ministério da Economia para desindexar o salário mínimo e as aposentadorias da inflação do ano anterior gerou preocupações na campanha de Bolsonaro nos últimos dias. Aliados do presidente se apressaram em desmentir que a medida, em estudo na pasta, será de fato implementada. Ao mesmo tempo, a campanha à reeleição captou impactos negativos da notícia, sobretudo no eleitorado de baixa renda.
Ao comentar o assunto, Bolsonaro acusou a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de mentir.
“É terrível isso, porque algumas pessoas acreditam”, afirmou o presidente. “O que eles querem fazer de mau, estão botando na minha conta. […] Vamos reajustar os aposentados acima da inflação. Vamos reajustar os servidores públicos acima da inflação. Vamos manter o Auxílio Brasil em R$ 600.”
Bolsonaro, que durante todo o seu primeiro mandato limitou-se a reajustar o salário mínimo pela inflação, sem ganho real, afirmou que será possível promover uma mudança agora que a economia, segundo ele, está “arrumada”.
“Nós arrumamos a economia, pegamos o Brasil quebrado. Se está arrumado, vamos agora aproveitar, recuperar aquilo que perdemos no passado, dando reajuste real para vocês”, disse.
Ao anunciar o aumento do prazo para pagamentos no Pronampe, Bolsonaro leu uma nota enviada pela Secretaria-Geral da Presidência quando a transmissão já havia começado.
Ontem, Bolsonaro também participou de eventos de campanha no Rio, onde deve ficar até o dia da eleição. Ele evitou ataques ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante passagem por São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Na véspera, o presidente da corte, Alexandre de Moraes, arquivou denúncia apresentada pela campanha bolsonarista de suposta veiculação desigual de propaganda de rádio em favor de Lula.
Bolsonaro discursou em cima de um carro de som após realizar uma “motocarreata” por cerca de duas horas e meia entre dois municípios da região. Com os termômetros beirando 40 graus, o presidente falou por cerca de 10 minutos sobre temas caros à sua militância, como a corrupção nos governos do PT e a legalização das drogas e do aborto.
“Há uma diferença enorme entre eu e o Lula ladrão. Aqui tem respeito, trabalho, amor à pátria e amor a vocês”, disse.
O presidente destacou números positivos da economia durante o seu governo e afirmou que o Auxílio Brasil é “três vezes maior” que o Bolsa Família.
Vitorioso no Rio e em todos os municípios da Baixada, o presidente estava acompanhado do governador Cláudio Castro (PL) e do filho e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele disse ainda que, no sábado à tarde, “vamos dar uma pausa porque todos nós seremos Flamengo”. O time rubro-negro disputa amanhã a final da Libertadores da América contra o Athletico Paranaense. “Vamos ganhar a Libertadores e receber o Flamengo no aeroporto do Galeão”, disse.
Bolsonaro repetiu a convocação na live. Mas não fez menção à possibilidade de a equipe curitibana, dirigida por Luiz Felipe Scolari, sagrar-se campeã.
A promessa presidencial de receber o Flamengo no aeroporto ocorre depois de o clube ter descartado fazer uma festa pública em caso de título. A postura foi motivada por uma notificação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio, que manifestou preocupação com prejuízos ao processo eleitoral se houvesse comemorações no dia da eleição presidencial.
Bolsonaro segue no Rio, onde realiza um comício em Campo Grande, na zona oeste, a partir de quatro da tarde. No domingo ele vota na capital fluminense antes de retornar a Brasília para acompanhar a apuração dos votos.
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