Brasileiros sentem falta de colegas no home office

Brasileiros sentem falta de colegas no home office

Publicado em 2 de abril de 2020

Em um levantamento feito com 7 mil profissionais brasileiros, mais da metade dos entrevistados afirmam que suas empresas adotaram políticas de home office a partir do dia 16 de março, sendo 55% das companhias com mais de 500 funcionários. Entre os setores que mais aderiram à prática por conta do avanço da covid-19 está o de serviços, em especial os ligados à tecnologia e a área financeira. Na indústria, a medida cresceu na construção civil, metalurgia e entre as montadoras.

A pesquisa foi feita pela Ticket, marca de benefícios de refeição e alimentação da Edenred, entre os dias 20 e 22 de março, com usuários do Ticket Restaurante e Ticket Alimentação, em todo o Brasil. No Estado de São Paulo, segundo a pesquisa, o home office foi adotado por 63% dos entrevistados, no Rio de Janeiro 21%, em Minas Gerais 13% e no Espíri

O levantamento investigou o que os profissionais consideravam aspectos positivos e negativos de estarem trabalhando de casa. Nas regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste, o fato de não gastar tempo até o trabalho e de estar perto da família foram os aspectos mais valorizados. Já na região Norte, o destaque foi o desafio de estar experimentando uma nova forma de trabalho. Em todas as regiões, no entanto, o sentimento de proteção contra a pandemia por poder ficar em casa foi o mais citado.

Trabalho remoto pelo Brasil

Pesquisa feita com 7 mil trabalhadores brasileiros – por região (em %)

Itens Sudeste Sul Centro- Oeste Nordeste Norte
Aspectos positivos
Sentimento de proteção por estar em casa 16 16 19 18 16
Não perder tempo no deslocamento para o trabalho 16 14 14 12 9
Estar mais próximo da família 11 11 11 12 13
Flexibilidade de horário 9 9 9 9 10
Desafio de uma nova forma de trabalho 9 10 10 14 14
Aspectos negativos
Distanciamento dos colegas 17 17 16 16 16
Distração 14 15 17 12 20
Não ter uma estrutura em casa para o trabalho remoto 13 15 12 14 22
Não ter tanta informação da empresa 12 14 15 17 13
Trabalhar mais em casa do que quando está na empresa 11 8 6 6 4

Fonte: Pesquisa realizada pela Ticket entre os dias 20 e 22 de março, com mais de 7 mil usuários

O que chama atenção entre os aspectos considerados negativos, em todas as regiões, é o fato de ter que ficar distante dos colegas do trabalho. A questão do isolamento incomoda os brasileiros, assim como estar longe das informações da empresa, não ter infraestrutura apropriada para o home office e a sensação de estar trabalhando mais em casa do que na companhia.

Na Ticket, que desde 2012 mantém 70% de sua equipe comercial atuando no sistema de home office todos os dias da semana, a adesão de praticamente toda a empresa, que tem 550 funcionários no país, está sendo tranquila, segundo o diretor de recursos humanos, José Ricardo Amaro. Ele conta que nas áreas administrativas, a possibilidade de trabalhar fora do escritório em um ou dois dias da semana já existia por meio de um projeto chamado “flexplace”, então muitos funcionários estavam acostumado com o distanciamento.

Amaro diz que a medida mais eficaz que a empresa tomou para cuidar da sensação de isolamento dos funcionários foi cuidar da comunicação. “É preciso compartilhar treinamentos, estratégias, mostrar que a roda continua girando para que a pessoa não se sinta desmotivada”, afirma. Por conta da crise provocada pelo coronavírus, ele diz que convocou médicos para dar dicas de saúde física e mental, além de outros profissionais para indicarem métodos para melhorar a produtividade remota. “São pílulas de informação.”

Amaro diz que também foi formado um comitê multidisciplinar com RH, TI e as áreas de risco digital, que se reúne diariamente com a direção. “A liderança dá o tom da mensagem que vai cascatear para os gestores de área. As ações são orquestradas”, conta. Ele diz que esse grupo divide informações sobre como outras empresas estão reagindo à crise para ter exemplo que poderão eventualmente ser adotados.

A pesquisa mostra que em todas as regiões do país, as ferramentas usadas pelos trabalhadores no home office são semelhantes, como notebook ou computador com telefone digital. A comunicação se dá prioritariamente por meio de grupos de WhatsApp e aplicativos de conversa, além dos e-mails. Outro meio popular é os de chamadas em vídeos usadas para reuniões diárias. “Todos essas ferramentas ajudam a diminuir a sensação de isolamento”, diz Amaro. Na Ticket, ele conta que antes da crise, a recomendação para os gestores era que fizessem um follow com os funcionários remotos a cada dois dias. “E não era para falar sobre metas de curto prazo, mas para manter viva a relação.”

Fonte: Valor Econômico
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