30 set Burnout: Adoção de indicador de estresse faz GSK reduzir risco
Burnout: Adoção de indicador de estresse faz GSK reduzir risco
Cíntia Magno, head de RH da GSK Brasil, explica como a empresa diminuiu a chance de os funcionários sofrerem com a síndrome.
A farmacêutica GSK reduziu o risco de síndrome de burnout dos funcionários em 65% entre 2019 e 2021. Quem garante é Cíntia Magno, head de RH da GSK Brasil. “Identificamos os fatores de pressão no ambiente de trabalho para minimizar as possibilidades de estresse”, explicou a executiva em live da série RH 4.0, que debate desafios da área de gestão de pessoas.
Para isso, a companhia, com dois mil funcionários no Brasil, usa um indicador que acompanha o nível de estresse e o risco de burnout no quadro. Os funcionários respondem a um questionário com 35 perguntas, em sete temas principais: demandas, controle, suporte da liderança, suporte dos pares, relacionamento, papel na organização e mudanças. O recurso é inspirado em ferramenta da Health and Safety Executive, agência do governo do Reino Unido responsável pela aplicação da saúde, segurança e bem-estar no trabalho. A GSK tem sede em Londres.
A pontuação do indicador de estresse varia de 0 a 5 para cada tema – quanto maior a pontuação, menor o risco. A pontuação média de todos os pilares abaixo de 3,5 ou abaixo de 2 para um assunto específico é considerada como risco para o burnout.
De acordo com a Isma-BR, integrante da International Stress Management Association, voltada à pesquisa e à prevenção do estresse, 72% dos brasileiros que estão no mercado de trabalho sofrem de alguma sequela ocasionada pelo problema. Desses, 32% sofreriam de burnout e 92% das pessoas com a síndrome continuariam trabalhando. “Tínhamos um programa de gerenciamento de estresse ativo desde 2019”, diz Magno. “A pandemia potencializou a nossa preocupação.”
A ação inclui uma avaliação de risco individual com geração de relatórios e seminários por grupos de trabalho. “Nesses workshops, as próprias equipes traçam um plano de ação para diminuir os fatores estressantes.” Os funcionários em risco de burnout são contatados pelo serviço de saúde ocupacional, que faz um acompanhamento individual.
Em abril de 2020, a empresa lançou o programa Vida Saudável, plataforma on-line que integra todas as ações de bem-estar do grupo voltadas para os funcionários. Também disparou uma campanha de prevenção ao suicídio, com o recrutamento dos “champions de saúde mental”. “Eles são funcionários que se identificam com a temática e recebem um treinamento para auxiliar no reforço da cultura de segurança psicológica da empresa”, afirma. Atualmente, são 115 “champions” na América Latina, sendo 58 no Brasil – em julho de 2021 eram 22 no país. Nessa iniciativa, funcionários de qualquer área ou nível hierárquico podem participar ajudando os colegas com apoio e diálogo. A preparação dos “champions” segue procedimentos da Organização Mundial de Saúde.
O objetivo, segundo Magno, é tirar o estigma sobre o tema suicídio e trazer o assunto para conversas cotidianas. O programa recebeu o prêmio This Can Happen Awards 2021 de melhor campanha de saúde mental de 2020, concedido pela This Can Happen. A entidade britânica apoia organizações que incentivam a promoção de políticas de saúde mental no ambiente profissional.
Magno diz que os movimentos mostram os primeiros resultados. “Além de uma melhor percepção sobre a companhia, iniciativas como essas auxiliam a diminuir os índices de absenteísmo e fazem com que o colaborador se sinta mais à vontade para falar sobre saúde.”
Pesquisa de clima realizada em 2020 indica que 95% dos funcionários recomendariam a GSK como um ótimo lugar para trabalhar. O índice teve um aumento de nove pontos percentuais frente ao levantamento realizado em 2019.
Sorry, the comment form is closed at this time.