CAE do Senado vota desoneração com apoio dos líderes

CAE do Senado vota desoneração com apoio dos líderes

Publicado em 24 de outubro de 2023

Proposta possibilita que as empresas de 17 setores paguem alíquota da contribuição previdenciária de 1% a 4,5% sobre a receita bruta.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado vota nesta terça-feira (24) o projeto de lei que prorroga até 31 de dezembro de 2027 a desoneração da folha de salários dos 17 setores que mais empregam no país. A proposta tem apoio das lideranças dos principais partidos, a despeito da resistência do governo.

Em seu relatório, o senador Angelo Coronel (PSD-BA) decidiu pela rejeição do texto da Câmara dos Deputados, retomando o parecer original. A proposta possibilita que as empresas desses setores paguem alíquota de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20% sobre a folha.

O relator estendeu a medida a municípios com a população inferior a 142,6 mil habitantes. Essas cidades teriam a alíquota da contribuição previdenciária sobre a folha reduzida de 20% para 8%. No texto aprovado na Câmara, os deputados ampliaram a medida para todos os municípios, mas de maneira escalonada.

Se o parecer do relator for aprovado na CAE, o texto só irá para o plenário se houver recurso apresentado em até 48 horas. Na semana passada, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que, caso isso ocorra, ele colocará o projeto para deliberação “o mais brevemente possível”.

Segundo o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP), a questão dos municípios é o ponto de maior resistência do Executivo. “O governo quer alterar o PL no que diz respeito à desoneração de municípios. O governo quer ponderar que considera que é prioritário a aprovação da reforma tributária. Nós vamos, antes de tudo, dialogar fazendo esses dois apelos amanhã à CAE”, afirmou Randolfe.

Ao Valor, o relator afirmou que não irá retirar a desoneração dos municípios do parecer. “Eu não vou retirar do meu texto em hipótese nenhuma”, declarou Coronel.

O presidente da CAE, senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), acredita que o governo não tentará levar a matéria ao plenário da Casa. “Não acredito que eles vão fazer mais alguma manobra. Se for ao plenário, o governo ganha o quê? Um dia? A pressão é tanta que bota para votar no mesmo dia”, ponderou.

Questionado sobre a possibilidade de veto por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Vanderlan disse que a medida geraria um desgaste para o Executivo, pois o Congresso derrubaria o veto. “Não sei se o Lula vai querer correr esse risco. Pode ser que ele vete, mas a derrubada do veto é praticamente certa”, argumentou o senador.

“Questão dos municípios é o ponto de maior resistência”

Os setores afetados pela desoneração têm pressa pela aprovação do projeto. Representantes dos setores afirmam que a medida impactará diretamente o planejamento das empresas e a manutenção de empregos.

A presidente da Federação Nacional de Call Center, Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática (Feninfra), Vivien Suruagy, afirma que há um sentimento de insegurança nas companhias do setor.

 “A atual desoneração termina em 31 de dezembro próximo e, neste momento, a insegurança toma conta das empresas, que sequer sabem se terão condições de manter a folha de pagamento no ano que vem”, pontuou. “Teríamos demissões de até 25% dos trabalhadores, que em grande parte são mulheres e jovens em seu primeiro emprego, apenas no setor de telecomunicações, já a partir de dezembro, antes da mudança da regra. Devemos lembrar o enorme impacto social que as demissões causariam.”

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato de Sousa Correia, alerta que as empresas do setor trabalham com planejamento de longo prazo e a não aprovação da matéria pode impactar, não só futuros empregos, mas acarretar uma insegurança jurídica em relação aos contratos firmados.

 “Nosso setor é de longo prazo. As obras duram muitas vezes por anos e você contrata com base na premissa da legislação vigente. Se ela muda, você desequilibra os contratos. É mais burocracia e mais custo administrativo. É realmente negativo para o setor se isso não for aprovado”, destacou.

A expectativa era que a votação ocorresse na semana passada, mas ela foi adiada depois de um pedido de vista da senadora Augusta Brito (PT-CE).

Fonte: Valor Econômico
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