CAE do Senado vota projeto que prorroga desoneração da folha

CAE do Senado vota projeto que prorroga desoneração da folha

Publicado em 17 de outubro de 2023

Relator conclui parecer sem incluir a redução da alíquota de contribuição previdenciária para todas as prefeituras.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado deve iniciar nesta terça-feira a votação do projeto de lei (PL) que prorroga até 31 dezembro de 2027 a desoneração da folha de salários dos 17 setores empresariais que mais empregam no país.

O relator da proposta, senador Angelo Coronel (PSD-BA), concluiu o seu parecer sem a redução da alíquota de contribuição previdenciária para todas as prefeituras. “Vou manter o texto original do Senado”, disse Coronel.

De autoria do senador Efraim Filho (União-PB), o projeto de lei já passou uma vez pelo Senado e foi aprovado pela Câmara dos Deputados no fim de agosto com modificações. Por isso, retornou à Casa de origem.

 Coronel optou, no entanto, por rejeitar todas as alterações feitas pela Câmara. A Secretaria-Geral da Mesa Diretora do Senado entende que, neste caso, o texto pode seguir diretamente à sanção presidencial depois de passar pela CAE, sem ter de passar pelo plenário. Mas ainda é possível haver recurso em um prazo de 24 horas. “Não tem motivo para ir ao plenário”, disse Coronel.

Entre os setores que podem aderir a esse modelo tributário diferente estão as indústrias têxtil, de calçados, máquinas e equipamentos e proteína animal, construção civil e comunicação, que têm uso intensivo de mão de obra. A medida permite que as empresas paguem alíquota de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20%.

O relator estendeu a medida a municípios com a população inferior a 142,6 mil habitantes. O trecho tem impacto estimado entre R$ 9 bilhões e R$ 11 bilhões. As cidades contempladas teriam a alíquota da contribuição previdenciária sobre a folha de salários reduzida de 20% para 8%.

“É uma simples prorrogação. Por isso tem que ser aprovado”

 Durante a tramitação da Câmara, deputados incluíram alterações para que o tratamento concedido a parte dos municípios fosse estendido para todas as cidades, de forma escalonada. Além disso, eles aprovaram a ampliação da desoneração das empresas de transporte rodoviário coletivo de passageiros municipal, intermunicipal, interestadual e internacional. Elas pagam alíquota de 2% sobre a receita bruta e passariam a ser tributadas em 1%.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP), reconhece a possibilidade de o texto não ir ao plenário caso a CAE aprove o parecer pela rejeição do texto da Câmara, mas defende a exclusão definitiva dos municípios.

“É uma possibilidade [retomar o texto do Senado]. O que pega para o governo é a questão dos municípios porque os mesmos serão compensados [por perdas de arrecadação]”, disse Randolfe.

A versão do Senado conta com apoio de parlamentares de diversos partidos, inclusive oposicionistas. Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) afirmou preferir o texto original. Ele ponderou, entretanto, que quer “sentir a repercussão e pressão dos municípios”.

Já o líder do PSDB, Izalci Lucas (DF), disse que o projeto terá facilidade porque trata de uma prorrogação. “É uma prorrogação, simplesmente. Por isso tem que ser aprovado. Não vejo dificuldades. Vamos votar o texto”, declarou Izalci Lucas. Existe a possibilidade de um pedido de vista adiar a votação, o que ainda está discussão.

Fonte: Valor Econômico
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