30 jun Caged abre menos vagas e Marinho culpa os juros
Caged abre menos vagas e Marinho culpa os juros
Analistas veem desaceleração natural do mercado após início de ano forte, mas saldo tende a ser positivo.
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O governo avalia que a política de juros alto levou a uma desaceleração da abertura de vagas formais de trabalho em maio. Dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostram que o mercado de trabalho registrou abertura líquida de 155.270 vagas com carteira assinada em maio, resultado de 2.000.202 admissões e 1.844.932 cortes.
Apesar de positivo, o número ficou abaixo da estimativa mediana de instituições financeiras, gestoras de recursos e consultorias, que previam a abertura líquida de 196,5 mil vagas, segundo o Valor Data. Também ficou abaixo da própria estimativa do Ministério do Trabalho, que contava com cerca de 180 mil novas vagas no mês.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que a abertura de vagas abaixo do esperado é culpa da política de juros do Banco Central. “O que frustrou um número ainda melhor é a ausência de crédito, e a ausência de crédito está vinculada diretamente aos juros praticados. Eu responsabilizo as autoridades que já teriam de ter iniciado um processo de redução dos juros do país.” Ele avaliou que o patamar atual da taxa Selic “sacrifica” empregos e as próprias contas públicas, porque aumenta o custo da dívida pública.
Apesar das críticas, o ministro avaliou ser possível chegar a mais 2 milhões de empregos líquidos criados até o fim do ano. “Há muitas coisas acontecendo, anúncios de políticas públicas, investimento.” No acumulado do ano até maio, a abertura líquida de vagas está em 865.360.
Os dados apontam ainda que o salário médio real de admissão de novos empregados com carteira assinada ficou em R$ 2.004,57 em maio, um pouco abaixo do registrado em abril (R$ 2.022,83). Já o salário médio real de demissão ficou em R$ 2.082,98 em maio, contra R$ 2.103,80 um mês antes.
Nas contas do Santander, a média móvel de três meses de geração de vagas ficou em 113 mil em maio, de 112 mil em abril, acima dos 90 mil que o banco considera o nível a partir do qual o mercado passa a exercer pressão sobre inflação.
“Em linhas gerais, os principais setores apresentaram estabilidade em relação a abril. O segmento de serviços teve uma aceleração relevante, de 80 mil para 92 mil. Na outra ponta, varejo, construção e manufatura desaceleraram”, diz o Santander em nota.
O Santander espera que a geração de vagas desacelere, em linha com os efeitos de uma política monetária mais apertada.
Para Lucas Assis, economista da Tendências Consultoria, o mercado de trabalho mostra os primeiros sinais de desaceleração do emprego formal, após início de ano melhor que o esperado. A expectativa é que, até o fim do ano, o aperto monetário e menor dinamismo das economias mundial e doméstica continuem freando contratações, ainda que lentamente.
“A partir de maio, a gente deve ver alguma desaceleração, com o setor de serviços novamente liderando a geração de postos, em especial nos setores de informação e comunicação e administração pública”, diz Assis.
O resultado de maio ainda representa um mercado de trabalho aquecido, e a expectativa é que seu arrefecimento ocorra apenas gradualmente ao longo de 2023, avalia a XP Investimentos.
No cálculo dessazonalizado da XP, o saldo de novos postos com carteira assinada recuou de 149 mil em abril para 115 mil em maio. “No entanto, vale a ressalva de que a média móvel de três meses exibiu aumento de 172 mil para 180 mil no período, níveis ainda elevados. A leitura de março havia representado uma grande surpresa positiva. Ou seja, o resultado mais fraco do que o esperado em maio deve ser interpretado com cautela”, diz a corretora. A XP espera uma desaceleração apenas gradual do emprego formal ao longo do ano.
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