01 fev Caged fecha ano no azul, mas dezembro mostra retração
Caged fecha ano no azul, mas dezembro mostra retração
Com corte de 265 mil postos, mês tem desempenho aquém do previsto.

O mercado de trabalho brasileiro registrou menos vagas do que o esperado em dezembro, indicando desaquecimento e ressaltando desafios. Segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Previdência, foram fechadas 265.811 vagas com carteira assinada no último mês de 2021, ante fechamento de 157.474 vagas em dezembro do ano anterior.
Os números vieram abaixo da expectativa de mercado. Segundo mediana de projeções coletadas pelo Valor Data em consultorias e instituições financeiras, esperava-se fechamento de 167,5 mil vagas.
Com as cifras de dezembro, o saldo de contratações no acumulado em 2021 ficou positivo em 2.730.597 postos. O ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, afirmou ontem que o saldo de geração de empregos em 2021 foi o maior da década. O ministro não esclareceu a que período se referia, já que a década começou exatamente em 2021. Em 2020, o Caged passou por mudanças metodológicas, e especialistas apontam que não é adequado comparar dados atuais com a série histórica até 2019.
Foi um resultado “extremamente positivo”, disse o ministro sobre o papel do auxílio emergencial, do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), e do Pronampe, de crédito a micro e pequenas empresas.
Para Bruno Ottoni, da consultoria IDados, o saldo de contratações abaixo do esperado indica um mercado de trabalho mais desaquecido do que se pensava. “O fato de ser surpresa negativa é má notícia porque sinaliza que o mercado de trabalho está mais fraco do que o esperado por analistas, que já previam cenário pessimista”, diz.
Neste ano, a criação de vagas com carteira assinada terá forte desaceleração em relação a 2021, prevê Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
“É natural num ano como 2021 vermos números altos pela recuperação da atividade, emprego. Mas em 2022 teremos os números se ‘normalizando’”, diz Duque. “A tendência é de desaceleração, o que é natural tendo em vista que a economia perdeu fôlego no segundo semestre”, argumenta.
O mercado informal é quem deve puxar a criação de empregos. “O setor de serviços, que está preenchendo a lacuna deixada pela pandemia, concentra grande informalidade”, diz Duque. Há 1 milhão de empregos a menos que antes da pandemia, lembra.
Nos próximos meses, os efeitos da pandemia, da recuperação e dos estímulos econômicos serão cada vez menos presentes na geração de vagas formais no mercado de trabalho, que passará a refletir mais o ritmo da economia, diz Cosmo Donato, da LCA Consultores.
Além de mudanças de hábito, com maior consumo de serviços que demandam profissionais de tecnologia da informação e de suporte a novos produtos, que levou migração do mercado informal ao formal, também tiveram influência programas de estímulo como o auxílio emergencial e o BEm.
Esses fatores, no entanto, perderão força neste ano, diz Donato. O BEm, por exemplo, deve passar de 2,1 milhões em dezembro de 2021 para 853 mil em janeiro, 715,5 mil em fevereiro, 579,2 mil em março, e 173,8 mil em abril.
A renda do trabalho e o auxílio sustentaram o consumo no início do ano. Após dois meses em queda, o indicador Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), subiu 1,1% em janeiro ante dezembro, para 76,2 pontos, maior nível desde maio de 2020.
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