Caged mostra criação de 278 mil vagas formais em agosto

Caged mostra criação de 278 mil vagas formais em agosto

Publicado em 30 de setembro de 2022

Economistas divergem sobre a sustentabilidade do crescimento econômico necessário para manter o ritmo de geração de vagas formais.

O mercado de trabalho brasileiro teve a abertura de 278.639 vagas de emprego com carteira assinada em agosto, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O indicador foi divulgado nesta quinta-feira, 29, pelo Ministério do Trabalho.

O resultado veio acima da expectativa do mercado captada pelo Valor Data, que apontava para a criação líquida de 270 mil. Economistas ouvidos pelo Valor divergem sobre a sustentabilidade do crescimento econômico necessário para manter o ritmo, embora concordem que os números do mês passado ainda reflitam um momento de aquecimento na geração de postos de trabalho.

Para o economista da LCA Consultores Bruno Imaizumi, ainda é possível notar influência considerável dos efeitos da reabertura econômica após as restrições à mobilidade impostas para combater a pandemia.

“O grande destaque segue sendo o setor de serviços e, dentro dele, o que chamamos de atividades administrativas e serviços complementares, que são basicamente serviços prestados a empresas, edifícios e escritórios. Isso reflete muito essa volta das empresas a esquemas híbridos e presenciais de trabalho”, avalia Imaizumi.

O economista diz que o resultado é bom, mas pondera que a maior parte dessas vagas ainda são em ocupações que exigem pouca qualificação e oferecem salários mais baixos em funções como limpeza, manutenção, disposição de lixo, recepção e portaria. “Atividades de apoio a empresas, edifícios e escritórios em geral”, aponta.

Segundo os dados, o setor de serviços foi responsável por 141.113 das 278. 639 vagas formais criadas em agosto – no saldo entre as contratações e demissões.

A economista do Itaú Unibanco Natalia Cotarelli ressalta que o resultado segue a dinâmica vista ao longo do ano. No acumulado de janeiro a agosto, o Brasil conta com a criação de 1.853.298 postos de trabalho, sendo 1.027.288 foram gerados em serviços.

Entre os demais setores, agricultura criou 7.724 empregos formais, indústria geral gerou 52.760, Construção somou 35.156 e Comércio 41.886 vagas. “Temos visto os setores intensivos de mão de obra sendo o destaque positivo. Serviços, construção, nos últimos meses, e comércio também. Tem mais a ver com a reabertura”, disse Natalia Cotarelli. “Mas a economia deve desacelerar o ritmo ao longo do próximo trimestre e isso deve ser notado no mercado de trabalho mais pro fim do ano”, prosseguiu a economista do Itaú.

Ela lembra que o PIB brasileiro cresceu 1,1% no segundo trimestre, enquanto a projeção para o trimestre atual é de alta de 0,3%. “Já é um desaceleração e há um espaço de tempo até que o mercado de trabalho sinta isso”, reforça Natalia Cotarelli.

Imaizumi também projeta um ritmo mais fraco para o mercado de trabalho entre o fim do ano e 2023. “Vai desacelerar. Isso vai ficar bem mais evidente no quarto trimestre, mas ainda com dados positivos. A gente tem uma expectativa de 2 milhões de vagas [saldo] para o ano todo de 2022 e um saldo um pouco abaixo de 1 milhão para 2023, o que já mostra essa desaceleração da economia”.

Ele afirma que ainda não estão claros no resultado do Caged de agosto como a distribuição dos auxílios (aumento do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 e os vouchers para taxistas e caminhoneiros podem ter impactado).

O resultado do Caged em agosto mostra “estabilidade tendente a crescimento” no mercado de trabalho, disse o secretário de Trabalho, Mauro Rodrigues de Souza. Para ele, o Brasil há saiu do “boom” de vagas criadas no processo de reabertura depois dos piores momento da pandemia.

O economista da CM Capital Matheus Pizzani também interpretou os dados nessa linha.

Fonte: Valor Econômico
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