Caged mostra perda de fôlego na geração de vagas em outubro

Caged mostra perda de fôlego na geração de vagas em outubro

Publicado em 30 de novembro de 2022

Analistas veem impacto dos juros mais altos e do esgotamento das medidas de estímulo à economia.

Sob início do impacto de juros altos, de esgotamento dos efeitos das políticas de estímulo e também embalado por incertezas ao fim da corrida eleitoral, o mercado de trabalho formal brasileiro desacelerou em outubro e surpreendeu economistas. Para eles, a recuperação do emprego com carteira assinada deve se manter, mas com desaceleração nos próximos meses. O dado de outubro, apontam, pode ser indício de perda de ritmo da economia no último trimestre.

Segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Previdência, em outubro houve criação líquida de 159,5 mil vagas com carteira assinada, ante 277,4 mil em setembro. O saldo de outubro resultou de 1,79 milhão de admissões e 1,63 milhão de desligamentos.

O resultado ficou abaixo do piso das projeções de saldos de vagas das consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, que iam de 200 mil a 250 mil postos de trabalho criados, com mediana em 210 mil. Com o dado de outubro, o saldo de contratações acumulado em 2022 ficou em 2,32 milhões de postos. O resultado líquido de outubro foi pior que o de igual mês de 2021, quando foram criadas 252,5 mil vagas, considerando a série que inclui ajustes por declarações fora do prazo.

Victor Candido, economista-chefe da RPS, pondera que o Caged deve ser olhado com cuidado, porque baseia-se em informações auto-reportadas. “Mas o dado de outubro conversa com outros indicadores antecedentes de atividade e de confiança que apontam para quadro de desaceleração da economia no último trimestre.” O indicador também deixa mais claro que o pico de atividade econômica do ano, avalia, foi em agosto.

Victor Candido, economista-chefe da RPS, pondera que o Caged deve ser olhado com cuidado, porque baseia-se em informações auto-reportadas. “Mas o dado de outubro conversa com outros indicadores antecedentes de atividade e de confiança que apontam para quadro de desaceleração da economia no último trimestre.” O indicador também deixa mais claro que o pico de atividade econômica do ano, avalia, foi em agosto.

Pelos dados do Caged, o saldo de vagas na indústria geral caiu de 56.669 em setembro para 14.891 em outubro. No mesmo período, o saldo na construção caiu de 30.652 para 5.348, sempre considerando a série ajustada por declarações entregues fora do prazo.

Na série dessazonalizada, diz o economista do BV Christian Meduna, a criação líquida total de postos desceu “um degrau” ao cair de 170 mil na média de julho a setembro para 160 mil nos três meses encerrados em outubro. Considerando somente outubro, diz, o saldo líquido total foi de 140 mil. Nos últimos dois meses do ano, estima, essa média mensal, ainda na série dessazonalizada pelo banco, deve ficar perto de 100 mil. Para ele, o comércio deve perder mais força enquanto os serviços podem mostrar alguma resiliência.

Para o economista, o dado de outubro do Caged resulta de política monetária apertada, da exaustão de medidas de estímulo e também da incerteza em relação às eleições. Ele lembra que o mês de outubro abarcou o intervalo entre o primeiro e segundo turnos das eleições para presidente e o resultado apertado da disputa reflete incertezas que podem ter ajudado a frear as admissões. Agora, diz, a incerteza está ligada às medidas do novo governo eleito a partir de 2023.

Em boletim divulgado ontem pela Renascença, o economista César Garritano diz que, embora os dados da média móvel trimestral mostrem mercado de trabalho em recuperação, os números do Caged de outubro, quando considerada a evolução na margem, “inegavelmente acendem um sinal de alerta para os próximos meses”. Pelo ajuste sazonal da corretora, houve forte desaceleração, de saldo total, de 174,2 mil vagas em setembro para 110,8 mil em outubro. Houve aceleração de queda dos admitidos de setembro para outubro, de 2,0%, para 5,2%, mais intensa que a dos demitidos, de 1% para 2%, considerando as variações mensais. A corretora mantém expectativa de geração de 2 milhões de vagas formais em 2022.

Fonte: Valor Econômico
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