01 fev Caged tem corte de 431 mil vagas em dezembro, mas deve reagir
Caged tem corte de 431 mil vagas em dezembro, mas deve reagir
Expectativa, porém, é que crescimento do emprego em 2023 seja em ritmo menor.
Os resultados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego surpreenderam negativamente e sinalizam desaceleração do mercado formal, alertam economistas.
Em dezembro, o mercado de trabalho brasileiro registrou fechamento líquido de 431.011 vagas com carteira assinada. Com isso, o saldo de contratações no acumulado em 2022 ficou positivo em 2.037.982 postos.
O resultado de dezembro ficou abaixo da estimativa mediana de instituições financeiras, gestoras de recursos e consultorias, de fechamento líquido de 350 mil vagas, segundo o Valor Data. No mês passado, foram registradas 1.382.923 a admissões contra 1.813.934 desligamentos.
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O resultado líquido de dezembro foi pior do que o registrado no mesmo mês de 2021, quando foram fechadas 293.111 vagas.
No acumulado de 2022, houve 22.648.395 admissões e 20.610.413 desligamentos. O resultado líquido foi pior do que o registrado em 2021, quando foram criadas 3,070 milhões de vagas. Para o ano passado todo a projeção mediana do mercado era de abertura de 2,1 milhões de postos, segundo o Valor Data.
As cinco regiões do país apresentaram fechamento líquido de vagas formais de trabalho em dezembro. No acumulado de 2022, o resultado foi positivo em todas.
No último mês de 2022, os cinco setores da economia tiveram fechamento líquido de postos formais de trabalho, sendo o comércio o menos atingido. No acumulado do ano, os cinco apresentaram saldo positivo de vagas.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que “dezembro costumeiramente é um mês de más notícias” para o mercado formal de trabalho. “Sempre há baixa no Caged“, disse em entrevista coletiva.
O fechamento líquido de vagas de dezembro de 2022 foi o maior desde 2016, alerta Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
“Os dados vieram um pouco piores do que estávamos esperando, de fechamento de 365 mil vagas”, afirma Duque, ao observar que o número alto de desligamentos é uma sazonalidade de dezembro, quando muitas empresas esperam para fazer as demissões, especialmente no setor de educação.
“Não tínhamos um saldo negativo assim desde dezembro de 2016, quando foram fechadas 478 mil vagas. Quando dessazonalizamos esse número para avaliá-lo em relação ao que costuma ser esse mês, vemos desaceleração forte do mercado de trabalho nos últimos meses. Desde julho começamos a ter queda na geração de vagas, em relação ao primeiro semestre de 2022”, continua.
Esse cenário é explicado por duas razões, argumenta Duque.
“A primeira é que o saldo até o começo de 2022 estava sendo influenciado pela recuperação da economia, muito puxada por serviços, que passou por um período de boom pós demanda reprimida, do segundo semestre de 2021 até o primeiro de 2022, com o emprego respondendo com muita força”, diz. “A segunda é o aperto da taxa de juros, que parou de aumentar no fim do primeiro semestre de 2022, mas cujo efeito na economia leva cerca de dois trimestres para começar a ser sentido.”
Depois da abertura de mais de 2 milhões de vagas com carteira assinada em 2022, o mercado de trabalho deve criar 1,2 milhão de novas vagas neste ano, afirma Bruno Imaizumi, da LCA Consultores.
“Vamos continuar observando criação de postos nos próximos meses, mas em menor ritmo do que em 2022. A economia crescerá menos e haverá menos espaço para vagas”, afirma. “Ainda será um cenário positivo, mas mostrando uma desaceleração da atividade batendo no mercado de trabalho.”
O salário médio de admissão de novos empregados com carteira assinada ficou em R$ 1.915,16 em dezembro do ano passado, ante R$ 1.933,06 em novembro.
Imaizumi argumenta que o salário médio de admissão de dezembro está 7,6% abaixo do nível de fevereiro de 2020, último mês pré-pandemia. “Ou seja, as pessoas estão entrando no mercado de trabalho com um salário menor do que antes da pandemia”, diz.
Em comunicado, a XP projetou uma criação líquida total de aproximadamente 800 mil ocupações formais em 2023, em linha com expansão esperada de 1% do PIB neste ano, após crescimento de 3% no ano passado.
Em nota, o Santander avaliou que os resultados de dezembro “são compatíveis com um mercado de trabalho em desaceleração”.
“Esperamos que a criação de empregos permaneça em níveis baixos à frente, especialmente considerando os efeitos prolongados de uma postura mais rígida da política monetária, que já começa a se refletir em setores mais sensíveis ao ciclo, como construção e manufatura”, escreveu o economista Gabriel Couto, ao prever criação de vagas abaixo de 1 milhão neste ano.
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