Câmara aprova urgência para votar projeto que prorroga desoneração da folha de pagamento

Câmara aprova urgência para votar projeto que prorroga desoneração da folha de pagamento

Publicado em 30 de agosto de 2023

Requerimento teve 390 votos a favor e 15 contrários; texto vai direto ao plenário mas ainda depende de negociações.

A Câmara dos Deputados aprovou nessa terça-feira requerimento de urgência para o projeto de lei que prorroga por quatro anos a política de desoneração da folha de salários para os 17 setores que mais empregam na economia. Foram 390 votos a favor e apenas 15 contrários.

 A urgência permite que o texto seja votado diretamente no plenário, sem precisar passar pelas comissões. Isso deve ocorrer nesta quarta-feira, mas ainda depende de negociações sobre a contribuição previdenciária das prefeituras. Todos os partidos manifestaram-se a favor da urgência, com exceção da federação Psol/Rede.

A política de desoneração da folha foi criada em 2011 no governo Dilma (PT) para permitir que as empresas possam substituir a contribuição previdenciária de 20% sobre os salários dos empregados por uma alíquota sobre a receita bruta e, com isso, estimular a geração de empregos. Entre os 17 setores que podem aderir a esse modelo estão as indústrias têxtil, de calçados, máquinas e equipamentos e proteína animal, construção civil, comunicação e transporte rodoviário. O programa acaba em 31 de dezembro deste ano, mas o Congresso pretende prorrogá-lo por mais quatro anos.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), destacou que o impasse não está em torno da redução dos encargos da folha de salários das empresas, mas do tratamento que será dado aos municípios. “Com relação à desoneração, está resolvido”, disse.

 O projeto aprovado no Senado, além de prorrogar a política de desoneração da folha até 2027, reduz a contribuição previdenciária das prefeituras com até 142 mil habitantes de 20% para 8% dos salários dos servidores. Inicialmente, os deputados discutiam retirar isso do texto e tratar num projeto a parte, mas mudaram de ideia após reunião entre o presidente da Câmara e os partidos da base governista.

A intenção agora é rediscutir essa redução da contribuição previdenciária com uma regra “mais justa” e que contemple todas as prefeituras que não têm receitas próprias e dependem de transferências da União e dos Estados. “Se a Câmara resolvesse tirar essa redução, certamente seria vista como vilã pelas prefeituras. Por isso, vamos discutir uma regra mais justa e deixar para o Senado decidir”, afirmou o líder do PDT na Câmara, o deputado André Figueiredo (CE).

 Essa regra, segundo o pedetista, seria estabelecer um escalonamento na redução da contribuição previdenciária de acordo com o Produto Interno Bruto (PIB) per capita de cada município ou com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A diminuição dos encargos previdenciários valeria para todas as prefeituras, mas o percentual seria maior para aquelas mais pobres.

Também estaria em discussão se o prazo de redução da contribuição seria menor, igual ou maior que os quatro anos que será dado para a política de desoneração da folha das empresas. A desoneração para as prefeituras ocorreria para as contribuições para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e não envolveria as contribuições para os fundos próprios de previdência.

A discussão, contudo, deve ser secundária porque a criação de uma nova desoneração dos encargos sobre a folha é proibida pela Constituição desde a reforma da Previdência em 2019. Além disso, o Ministério da Fazenda se posicionou contra por causa do impacto nas contas públicas, com perda de bilhões por ano. Líderes partidários admitem nos bastidores que, se a proposta for confirmada pelo Senado, deve ser vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que não incorra em crime de responsabilidade.

O texto recebeu apoio até da oposição. O deputado Domingos Sávio (PL-MG), presidente da Frente Parlamentar do Comércio e Serviços, afirmou que a política é exitosa e deveria ser ampliada. “Houve crescimento de mais de 15% dos empregos gerados por esses setores, a partir dessa legislação, que deu certo”, defendeu.

Fonte: Valor Econômico
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