23 out Capacitação em TI reduz desemprego
Capacitação em TI reduz desemprego
Programas de formação profissional em setor com tradicional carência de mão de obra, priorizam jovens, pretos, pardos e mulheres.
Os programas de capacitação profissional para as áreas de tecnologia surgem cada vez mais como solução para enfrentar o desemprego, sobretudo entre jovens, pretos, pardos e mulheres, e reduzir a tradicional carência de mão de obra neste setor. Isso sem falar na perspectiva de trazer mais diversidade para instituições públicas e privadas, em linha com os princípios da agenda ESG. Não é à toa que os cursos de qualificação têm focado nestes perfis.
“É uma forma de tentar reduzir o desemprego entre um público que, historicamente, enfrenta maior dificuldade para arrumar um trabalho que não seja simplesmente um subemprego. Ao mesmo tempo você busca reduzir o déficit de mão de obra na área de tecnologia e traz mais diversidade para a iniciativa privada”, diz Josmael Castanho, diretor de operações de finanças da ONG Vocação, que atua na inclusão produtiva de jovens no mercado de trabalho.
Os números corroboram a visão de Castanho. O Panorama de Talentos em Tecnologia aponta que o Brasil terá um déficit de 530 mil profissionais de tecnologia até 2025, conforme estudo do Google for Startups com o apoio da Associação Brasileira de Startups (Abstartups). Já o desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos, em agosto, era o dobro da média nacional, de 8%, segundo o IBGE. A taxa de desocupação entre mulheres (9,6%) está acima da registrada entre homens (6,9%), No recorte pela cor de pele, pretos (10%) e pardos (9,3%) aparecem em situação pior à verificada entre os brancos (6,3%).
“Temos uma preocupação em combater a desigualdade social, de raça e gênero. Por isso fazemos este trabalho de transição assistida da escola para o trabalho”, explica Castanho. Em mais de 50 anos de atuação, o número de vidas impactadas pela instituição soma mais de 390 mil, afirma o diretor da entidade, que possui atuação colaborativa com empresas, instituições de ensino superior, órgãos públicos e outras ONGs em 13 Estados.
De Taboão da Serra (SP), Júlia Silva Pereira, de 21 anos, foi aluna de um programa da Vocação que proporciona formação técnica para jovens entre 16 e 29 anos desenvolverem competências para a resolução de problemas e raciocínio lógico, além de conhecimentos em tecnologia da informação, metodologias ágeis e programação, inclusive na linguagem python, uma das mais procuradas no mercado.
Atualmente, Pereira é jovem aprendiz na área de TI na Prestex, empresa do ramo de logística, e cursa análise e desenvolvimento de sistemas. “Conclui meus estudos na escola e fiquei muito tempo em busca de uma vaga e foi justamente através do curso que consegui este emprego”, conta.
“O programa pretende ampliar a atenção às regiões Norte e Nordeste”
Preocupado com a defasagem de profissionais qualificados em tecnologia, o Santander Universidades tem aumentado gradativamente nos últimos anos o número de bolsas de estudo para programas de capacitação. Serão 150 mil neste ano, 50 mil a mais do que no ano passado. A instituição, inclusive, acabou de encerrar inscrições para o Santander Coders, que vai conceder 50 mil bolsas de estudo de introdução de programação back-end, front-end, data science e engenheiro de dados. São mais de 200 mil inscritos até o momento.
Marcio Giannico, head senior do Santander Universidades, diz que as vagas foram abertas para qualquer candidato, mas que a partir de critérios estabelecidos pela instituição, há prioridade para pretos e mulheres, que representam 48% e 47%, respectivamente, dos jovens beneficiados pelos programa de capacitação do banco. Apenas nos últimos cinco anos, foram cerca de 400 mil bolsas concedidas. “Temos um viés de inclusão e diversidade justamente porque vemos o impacto social desses projetos.”
O Google também tem atuado em iniciativas com foco em mulheres pretas e pessoas em situação de vulnerabilidade social. A empresa disponibilizou 12 mil bolsas para seus certificados profissionais, que foram distribuídas por 24 organizações da sociedade civil para mulheres em busca de novas oportunidades, mapeadas pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME).
“Os cursos são 100% on-line e foram construídos para atender à urgência de quem procura por emprego em áreas de alta demanda no mercado de tecnologia”, diz Caroline Aguiar, coordenadora educacional do IRME, que recebeu neste ano uma doação de R$ 5 milhões do Google.org, instituição filantrópica da empresa, para viabilizar uma nova edição do “Ela Pode”, programa de capacitação e geração de renda que pretende beneficiar 300 mil mulheres até 2025.
“A prioridade é atender mulheres com pequenos negócios em regiões carentes. O programa pretende chegar a pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social e também ampliar a atenção às regiões Norte e Nordeste. A iniciativa ainda exige que 50% do público participante seja formado por mulheres pretas”, afirma Aguiar. Além disso, mais de 800 participantes terão acesso a um financiamento de cerca de R$ 2 mil para investimento no próprio negócio.
Sorry, the comment form is closed at this time.