23 jun Capital humano cresce 2,2% ao ano, aponta novo índice
Capital humano cresce 2,2% ao ano, aponta novo índice
A escolaridade e a experiência médias da força de trabalho brasileira aumentaram nas últimas décadas, o que resultou em aumento da qualidade da mão de obra. É o que aponta o Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre) ao calcular um novo Índice de Capital Humano (ICH).
Entre 1995 e 2022, o ICH cresceu, em média, 2,2% ao ano. Esse crescimento resultou de uma mudança de composição da população ocupada em favor de trabalhadores mais qualificados em termos de escolaridade e experiência, dizem Fernando Veloso, Janaína Feijó, Fernando de Holanda Barbosa Filho e Ana Paula Ruhe em estudo antecipado ao Valor.
Sem considerar a melhora da qualidade da mão de obra empregada, o crescimento anual médio do fator trabalho teria sido de 1,3% entre 1995 e 2022; ajustado pelo capital humano, o crescimento efetivo do fator trabalho no período foi de 3,5%.
“Falamos muito dos problemas de educação no Brasil, mas a contribuição do capital humano, sem dúvida, foi positiva para a produtividade, apesar de todos os problemas”, diz Veloso.
O estudo também mostra que, ajustada pelo ICH, a produtividade total dos fatores (PTF) – medida de eficiência com que os fatores capital e trabalho se transformam em produção -, teve trajetória de queda de 0,9% ao ano, em média, entre 1995 e 2022. Sem ajuste pelo capital humano, a PTF registra crescimento anual médio de 0,4% no período.
“O que contribuía para o aumento pequeno da PTF era, fundamentalmente, o capital humano. Quando não descontamos a melhoria na composição da força de trabalho, isso aparece como PTF. Uma vez que ajustamos, o que sobra realmente é uma queda”, diz Veloso, que é coordenador do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, do FGV Ibre, junto com Silvia Matos, ambos responsáveis pelo cálculo da PTF junto com Barbosa Filho e Paulo Peruchetti.
“A boa notícia é que a composição da força de trabalho está se movendo na direção de grupos de maior escolaridade e isso é bom para a produtividade. A má notícia é que a PTF, que capta mais questões de eficiência e tecnologia, é pior ainda do que parecia”, afirma Veloso.
Na série trimestral, com o ajuste de capital humano, a PTF está 2,5% abaixo do pré-covid. “Mesmo ajustando pelo capital humano, uma mudança importante, não altera a história qualitativa de que o desempenho recente da PTF tem sido bastante”, afirma Veloso.
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