05 out Cautela com economia no 2º tri derruba indicador antecedente de emprego, diz FGV
Cautela com economia no 2º tri derruba indicador antecedente de emprego, diz FGV
Empresários estão incertos de como será o ritmo da economia e da demanda para o período.
Um sentimento de cautela maior entre o empresariado no segundo semestre levou ao recuo de 0,5 ponto no Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) de setembro, para 74,6 pontos. A observação partiu de Rodolpho Tobler, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), responsável pelo indicador, anunciado hoje pela instituição.
Para ele, os empresários estão incertos de como será o ritmo de economia e de demanda para o período, em particular para o quarto trimestre. Na prática, isso adia decisão de abertura de novas vagas, o que leva ao recuo, no âmbito do indicador. Com a queda, o IAEmp foi conduzido para o menor patamar desde maio deste ano (74,6 pontos).
O especialista lembrou que, no primeiro semestre, as condições da economia brasileira foram melhores do que o estimado no início de 2023. Setores intensivos de emprego, como serviços e construção, mostraram boas performances, e ajudaram a reduzir a taxa de desemprego, nos primeiros meses do ano. “Tivemos, no primeiro semestre, dados de emprego melhores do que o esperado”, resumiu.
No entanto, ponderou que alguns setores chaves na economia, embora não tão empregadores quanto serviços por exemplo, continuam a andar de lado em atividade. É o caso de indústria e comércio, citou ele – e os empresários percebem a ausência de melhora nesses segmentos, o que aumenta percepção de cautela.
Ao mesmo tempo, os juros continuam em patamar elevado, lembrou o técnico. Mesmo com início, no segundo semestre, de corte na taxa básica de juros (selic) – que influencia juros de mercado como um todo – o impacto de cortes nos juros básicos leva tempo até chegar na economia real, recordou. Assim, com juros altos, isso inibe compras principalmente a crédito, o que não é favorável para trajetória de demanda interna, notou o técnico.
“A questão fiscal também pode ser um problema.” O técnico lembrou que noticiário recente tem mostrado preocupação do mercado com as contas do governo. Há possibilidade de que um possível controle de gastos, e de dívida pública, possa ser mais lento do que o esperado. Isso é mais um fator de incerteza no cenário macroeconômico, notou Tobler, e mais um tópico a contribuir para elevar cautela entre empresariado, completou.
Tendo em vista esses fatores, quando questionado se o IAEmp pode continuar a cair nos próximos meses, o economista respondeu que a tendência é que o índice permaneça a oscilar, até o fim do ano. Ele não descartou, no entanto que o indicador possa voltar a subir em dezembro – caso a inflação continue sob controle, bem como continuidade de trajetória de queda na taxa básica de juros. “Pode ser que fim do ano, dezembro, ele possa voltar a ser mais positivo”, admitiu.
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