06 ago Cenário favorável puxa indicador antecedente de emprego
Cenário favorável puxa indicador antecedente de emprego
Índice tem a melhor pontuação desde fevereiro de 2020 e sobe pelo quarto mês seguido, aponta FGV.
Condições mais favoráveis para crescimento de população ocupada, nos próximos meses, levaram a uma alta de 1,6 ponto, a quarta consecutiva, no Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) de junho a julho, para 89,2 pontos. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), que anunciou ontem o indicador, foi a maior pontuação desde fevereiro de 2020 (92 pontos), e conduziu o IAEmp de volta a patamar pré-pandemia. Porém, apesar de perspectiva de melhora em pessoas empregadas no mercado de trabalho, a taxa de desemprego deve se manter alta no segundo semestre, no entendimento do economista da FGV, e responsável pelo IAEmp, Rodolpho Tobler.
Sinais de melhora no emprego vão estimular os chamados “desalentados” – desempregados que não buscam vagas – a voltarem a procurar trabalho, e assim pressionar indicadores de desemprego. “Acredito que taxa de desemprego continue elevada ao longo de 2021”, resumiu.
Ao detalhar sobre o resultado do indicador, no contexto atual do mercado de trabalho, o especialista notou que o IAEmp em alta é influenciado principalmente por maior ritmo de vacinação contra covid-19.
A imunização, lembrou ele, impacta favoravelmente a economia de serviços, mais afetada pela pandemia, devido à necessidade de restrições de circulação social, para prevenir contaminação pela doença. Com o processo de vacinação mais ágil no país, em comparação com o observado no primeiro semestre, se diminui restrições; e as atividades de serviços voltam, gradativamente, a mostrar ritmo próximos ao do cenário pré-pandemia, afirmou.
Como serviços é intensivo em emprego, essa melhora pode conduzir à abertura de vagas, com impacto positivo na população ocupada, explicou Tobler.
Mas esse cenário também influenciará os desalentados, lembrou o técnico. “Esses vão voltar a procurar trabalho, e vão pressionar [para cima] a taxa de desemprego”, detalhou ele.
Em julho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que a taxa de desemprego ficou em 14,6% no trimestre até maio desse ano. Além de ser segunda maior da série histórica iniciada em 2012, representa contingente de 14,8 milhões de pessoas sem emprego, até maio.
No caso do IAEmp, no entanto, o economista não descartou que o indicador continue a subir, ao longo do segundo semestre, devido à expectativa de melhora em população ocupada. Mas Tobler fez uma ressalva. É fundamental acompanhar a evolução da pandemia, e seu impacto na trajetória do indicador, frisou ele.
O especialista comentou que, caso ocorra piora em indicadores de casos e de mortes causados pela doença, isso poderia conduzir a novas restrições de circulação social. Por consequência, notou ele, prejudicaria retomada da economia de serviços. Ele lembrou avanço recente, no país, da variante delta de covid-19, originada na Índia, mais transmissível. “No caso da pandemia, ainda temos fatores que tornam cenário muito incerto”, admitiu ele, reiterando que manutenção de trajetória ascendente, do IAEmp, depende de continuidade do atual quadro sanitário mais favorável, relacionado à doença.
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