07 dez Cenário piora, e indicador de emprego acende ‘sinal amarelo’
Cenário piora, e indicador de emprego acende ‘sinal amarelo’
Pesquisa da FGV mostra maior recuo em três anos.
A piora no quadro macroeconômico levou o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), da Fundação Getulio Vargas (FGV) à pior queda em quase três anos – e acende “sinal amarelo” para mercado de trabalho em 2023.
O alerta partiu de Rodolpho Tobler, economista da FGV responsável pelo indicador, anunciado ontem pela fundação. Tobler detalhou que o IAEmp caiu 6,7 pontos em novembro, para 73,1 pontos, menor nível desde julho de 2020 (66,1 pontos), e a mais intensa desde abril de 2020 (-42,9 pontos). “Foi um recuo equivalente à fase mais aguda da pandemia” observou o técnico.
Um contexto de menor renda, inflação ainda persistente e alto patamar de endividamento levou a um movimento de enfraquecimento da demanda, ao término de 2022, notou ele.
Isso atingiu em cheio a economia de serviços, maior empregadora da economia, e levou a enfraquecimento no ritmo de abertura de vagas. No entendimento do especialista, como os fatores macroeconômicos que conduzem ao atual cenário não são de rápida resolução, o indicador pode continuar a cair, o que sinaliza cenário desafiador para emprego em 2023, comentou o economista.
Ao comentar o desempenho do índice em novembro, Tobler notou que foi o segundo recuo consecutivo do IAEmp. Para ele, a nova queda comprova sinais de tendência de enfraquecimento do emprego, em novembro.
“Dentro do IAEmp, as quedas em diversos setores, de emprego previsto, foram bastante disseminadas”, observou. No indicador, houve contribuições de respostas negativas, para compor a queda do IAEmp, em emprego previsto apurado pela FGV na Sondagem de Serviços; em emprego local futuro na Sondagem do Consumidor, também da FGV; e em emprego previsto da Sondagem de Indústria, da fundação.
Tobler reiterou que a cautela maior do empresariado de serviços, em abrir novas vagas, foi fator determinante para recuo do indicador. O setor responde por mais da metade do emprego formal, no país.
“Não estamos dizendo que teremos ondas de demissões no fim do ano”, frisou o técnico. “E sim que o ritmo de abertura de vagas vai ser menor do que o esperado. As empresas vão continuar a contratar, mas a ritmo menor”, explicou.
No entendimento de Tobler, essa menor cadência de abertura de vagas deve prosseguir até 2023. Isso porque o consumo interno, no começo do próximo ano, provavelmente ainda seguirá influenciado por crédito mais caro e restrito, juros altos, e continuidade de patamar de endividamento elevado.
Assim, se o empresário não visualiza reação na demanda, ele não contrata a ritmo mais forte, ponderou ele.
“O ano de 2023 está meio contratado já que não deve ser positivo para a economia”, comentou o técnico, lembrando que estão piores previsões de inflação, e de atividade, para o ano seguinte.
“Serviços era o setor que estava impulsionando a atividade econômica” acrescentou, reiterando que, agora, serviços dá sinais de menor ritmo, com evolução menos positiva na demanda interna. “A tendência do IAEmp é continuar em patamar baixo, nos próximos meses”, concluiu.
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