Centrais sindicais dizem que Leite não dialoga e criticam proposta para salário mínimo regional

Centrais sindicais dizem que Leite não dialoga e criticam proposta para salário mínimo regional

Publicado em 20 de julho de 2021

Representantes de trabalhadores pedem reposição de inflação de 10,3%, enquanto governo protocolou projeto de reajuste de 2,73%.

A proposta de reajuste de 2,7% do salário mínimo regional, encaminhada pelo governador Eduardo Leite à Assembleia Legislativa, foi duramente criticada pelas centrais sindicais, nesta sexta-feira (16). O coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Guiomar Vidor, classificou a proposta de como “uma vergonha” e disse que as entidades vão trabalhar para que o reajuste contemple ao menos a inflação acumulada no período.

— Estamos há dois anos sem reajuste e o governo encaminha proposta de 2,7%. É uma vergonha! Pois a inflação acumulada nos dois anos (de 2019 a 2021) é de 10,3% segundo o INPC. E o reajuste da cesta básica é de 32,5%. Os trabalhadores perderam um terço do poder de compra. Demonstra que o governo está implementando uma política para desmontar o salário mínimo regional — argumentou Vidor.

As centrais de sindicatos também argumentam que o governador, já em seu terceiro ano de mandato, nunca recebeu os sindicalistas no Palácio Piratini. Para Vidor, falta diálogo a Leite.

— Desde o começo do governo solicitamos agendas com o governador e até hoje nunca conseguimos ser recebidos. Fomos recebidos no máximo pelo chefe da Casa Civil. O governador dialoga só com um lado, com os setores empresariais. A falta de diálogo com os trabalhadores é uma marca do governo Leite — disse Vidor.

Reajuste mais alto provocará desemprego, alega Leite

Na justificativa do projeto de lei que prevê o reajuste de 2,73%, o governo do Estado afirma que a proposta tem como objetivo repor metade do peso da inflação no último ano. O Piratini também argumenta que um reajuste mais elevado do salário mínimo geraria desemprego.

O salário mínimo regional é válido para as categorias que não têm acordo coletivo e que, conforme o projeto de reajuste enviado pelo governo do Estado, “vivem na informalidade, na base da pirâmide social”.

Em 2020, o Piratini enviou proposta de reajuste de 4,5% do salário mínimo regional. A base aliada do próprio governo Leite, contudo, fechou acordo para congelar o mínimo e evitar qualquer reajuste no último ano.

Proposta do governo fará mínimo gaúcho subir R$ 33,77

Se o texto do governo for aprovado, o piso regional, em sua primeira faixa, vai subir de R$ 1.237,15 para R$ 1.270,92 – uma diferença de R$ 33,77. O mínimo regional é composto por cinco faixas, que teriam os seguintes valores, reajustados retroativamente a 1º de fevereiro:

Faixa 1 – De  R$ 1.237,15 para  R$ 1.270,92

Para trabalhadores das seguintes áreas:

  • agricultura e pecuária
  • indústrias extrativas
  • empresas de capturação do pescado (pesqueira)
  • empregados domésticos
  • turismo e hospitalidade
  • indústrias da construção civil
  • indústrias de instrumentos musicais e de brinquedos
  • estabelecimentos hípicos
  • empregados motociclistas no transporte de documentos e de pequenos volumes – “motoboy”
  • empregados em garagens e estacionamentos

Faixa 2 –  De R$ 1.265,63 para R$ 1.300,18

Para trabalhadores das seguintes áreas:

  • indústrias do vestuário e do calçado
  • indústrias de fiação e de tecelagem
  • indústrias de artefatos de couro
  • nas indústrias do papel, papelão e cortiça
  • empresas distribuidoras e vendedoras de jornais e revistas e empregados em bancas, vendedores ambulantes de jornais e revistas
  • empregados da administração das empresas proprietárias de jornais e revistas
  • empregados em estabelecimentos de serviços de saúde
  • empregados em serviços de asseio, conservação e limpeza
  • nas empresas de telecomunicações, teleoperador (call-centers), telemarketing, call-centers, operadores de Voip (voz sobre identificação e protocolo), TV a cabo e similares
  • empregados em hotéis, restaurantes, bares e similares

Faixa 3 –  De R$ 1.294,34  para  R$ 1.329,67

Para trabalhadores das seguintes áreas:

  • indústrias do mobiliário
  • indústrias químicas e farmacêuticas;
  • indústrias cinematográficas
  • indústrias da alimentação
  • empregados no comércio em geral
  • empregados de agentes autônomos do comércio
  • empregados em exibidoras e distribuidoras cinematográficas
  • movimentadores de mercadorias em geral
  • comércio armazenador
  • auxiliares de administração de armazéns gerais

Faixa 4 –  De R$ 1.345,46  para  R$ 1.382,19

Para trabalhadores das seguintes áreas:

  • indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico
  • indústrias gráficas
  • indústrias de vidros, cristais, espelhos, cerâmica de louça e porcelana
  • indústrias de artefatos de borracha
  • empresas de seguros privados e capitalização e de agentes autônomos de seguros privados e de crédito
  • em edifícios e condomínios residenciais, comerciais e similares
  • indústrias de joalheria e lapidação de pedras preciosas
  • auxiliares em administração escolar (empregados de estabelecimentos de ensino)
  • empregados em entidades culturais, recreativas, de assistência social, de orientação e formação profissional
  • marinheiros fluviais de convés, marinheiros fluviais de máquinas, cozinheiros fluviais, taifeiros fluviais, empregados em escritórios de agências de navegação, empregados em terminais de contêineres e mestres e encarregados em estaleiros
  • vigilantes
  • marítimos do 1.º grupo de Aquaviários que laboram nas seções de Convés, Máquinas, Câmara e Saúde, em todos os níveis (I, II, III, IV, V, VI, VII e superiores)

Faixa 5 –  De R$ 1.567,81 para  R$ 1.610,61

  • Trabalhadores técnicos de nível médio, tanto em cursos integrados quanto subsequentes ou concomitantes.
Fonte: Gaúcha GZH
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