05 ago Centrais veem efeitos práticos da volta do Ministério do Trabalho com ceticismo
Centrais veem efeitos práticos da volta do Ministério do Trabalho com ceticismo
Entidades temem precarização com programas de emprego para jovens.
Apesar de algumas centrais sindicais considerarem a recriação do Ministério do Trabalho importante do ponto de vista simbólico, não há expectativa de que a reestruturação traga mudanças na relação com o Executivo. As centrais estão preocupadas ainda com os programas que estão sendo desenhados pelo governo para tentar incentivar a retomada do emprego entre os jovens no pós-pandemia. Em nota, elas apontam para o risco de precarização.
Para Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), a recriação da pasta é positiva no sentido de colocar em debate as demandas do trabalhador. Mas a relação com o ministro Onyx Lorenzoni nunca foi próxima e não deve melhorar. “A expectativa é que vai ser um Ministério do Trabalho para inglês ver, os temas que nos interessam não vão ter eco.”
Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre disse que a decisão não foi motivada por um reconhecimento da importância da pasta, mas por uma tentativa do governo de se fortalecer politicamente diante de denúncias. “É um aceno aos partidos e também uma tentativa de dar continuidade ao projeto de desmonte da legislação trabalhista.”
Em meio a uma articulação para acomodar aliados políticos, Bolsonaro optou pela cisão do Ministério da Economia e recriação do Ministério de Trabalho e Previdência, que passou a ser comandado por Onyx Lorenzoni, antes titular da Secretaria-Geral da Presidência.
O presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto, também disse ver o retorno do ministério com ceticismo. “A prática é que vai mostrar. Se for a mesma, não adianta, pode dar o nome que quiser. Nós temos um Ministério do Meio Ambiente. Adianta?”, questionou.
Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, a recriação da pasta sinaliza que Bolsonaro volta atrás em sua maneira de ver a política. “Mesmo que ele queira agradar sua plateia, está fazendo coisas diferentes do que prega. Ele percebe que precisa de partidos, de congressistas, de um instrumento como o Ministério do Trabalho.” A mudança gera uma expectativa positiva pelo fato de o ministério ser um espaço para negociação tripartite, mas, na prática, a atuação dependerá do papel que a pasta assumir, disse.
Em relação aos programas pensados pelo governo para o mercado de trabalho, as centrais demonstram preocupação com a precarização e perda de direitos dos trabalhadores. Nesta semana, elas divulgaram nota contrária ao relatório da medida provisória (MP) nº 1045, do deputado Christino Áureo (PP-RJ).
O texto inicialmente tratava da prorrogação do programa de suspensão de contratos de trabalho e redução de jornada e salário, mas foram incluídos dois outros programas: o Programa Primeira Oportunidade e Reinserção no Emprego (Priore), que retoma pontos da MP da Carteira Verde Amarela – apresentada em 2019 e não aprovada pelo Congresso – e o Regime Especial de Trabalho Incentivado, Qualificação e Inclusão Produtiva (Requip), que prevê treinamento de jovens dentro de empresas com o pagamento de uma bolsa.
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