Choque de gerações desafia cultura corporativa

Choque de gerações desafia cultura corporativa

Publicado em 11 de outubro de 2023

“Quem e o que influenciam a cultura interna das empresas hoje?” em evento da Aberje e do Valor.

 Com até quatro gerações convivendo em ambientes de trabalho cada vez mais híbridos (ora remotos, ora presenciais) e influenciados pela ascensão das redes sociais e de tecnologias disruptivas, como é possível construir e comunicar uma cultura interna consistente?

A resposta passa pela mudança no perfil de liderança empresarial e pelo foco nas necessidades das pessoas – tanto funcionários quanto clientes e público externo em geral -, conforme se concluiu no webinar “Quem e o que influenciam a cultura interna das empresas hoje?”, realizado ontem pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) e pelo Valor.

O debate abriu o 4º Fórum de Comunicação Corporativa, evento virtual de três dias cujo tema central é “Redefinindo a influência – Como comunicar para promover mudanças em tempos de vulnerabilidades”. As próximas sessões do fórum acontecerão nos dias 16 e 18 de outubro, das 12h às 13h30, com transmissão gratuita e ao vivo pelo site e redes sociais do Valor e da Aberje.

 “Mais do que nunca, a cultura de uma empresa não está refletida só de dentro para fora”, disse Pâmela Vaiano, superintendente de comunicação corporativa do Itaú Unibanco e uma das quatro debatedoras. “Os colaboradores são o coração da empresa, mas levam para dentro dela o que vivem fora. A cultura é uma combinação de forças sociais, familiares, internas e externas do mercado.”

A proliferação de redes sociais e da fiscalização exercida por seus usuários em relação às mensagens corporativas tornou a comunicação mais desafiadora. “Quando você se comunica com seus colaboradores, isso não é mais apenas interno, pode parar na internet”, afirmou Carolina Prado, diretora de comunicação da Intel. Ela lembrou ainda que o comportamento dos funcionários pode impactar a imagem da empresa. “Não dá para você falar que tem um valor X e um funcionário publicar em sua rede social algo que contraria aquilo.”

Esse alinhamento da cultura corporativa exige um bom entendimento do público interno. “Hoje, ele é formado por várias gerações, e compreendê-lo exige um esforço de adequação da mensagem a cada público, convergindo com as necessidades da empresa, para que o funcionário se torne um grande influenciador”, disse Mônica Alvarez, gerente de comunicação corporativa na Alubar Global Management.

Exige também um novo tipo de líder, “efetivo mas também afetivo”, segundo Malu Weber, vice-presidente de comunicação da Bayer. “Estamos vivendo um choque de cultura, do que se espera de um líder. A coerência do falar e do agir, a liderança compartilhada. O principal papel do líder é criar um ambiente onde as pessoas sintam-se seguras para expressar o que sentem, para discordar do chefe. Talentos querem ser ouvidos, não só cumprir ordens.”

Questionadas sobre como as empresas estão redefinindo seus modelos de trabalho pós-pandemia, as debatedoras ressaltaram que não há fórmula única. “As pessoas vão para o escritório quando faz sentido. O critério passa pela necessidade da empresa, a necessidade individual e o alinhamento com seu chefe. É na base da conversa”, disse Weber, sobre a Bayer. “Nem toda companhia está preparada para isso. Ainda estamos vivendo a jornada, pode ser que tenhamos de dar um passo atrás.”

Vaiano, do Itaú, afirmou que é preciso entender que impactos a pandemia pode ter tido na cultura da empresa – aprendizado que não é simples. “As relações das pessoas com o trabalho, a casa, a família foram muito impactadas. As empresas estão tentando entender como equilibrar a criação da cultura interna, que demanda presença para formar conexões, com o trabalho híbrido.”

A discussão também abordou a influência que a inteligência artificial pode ter sobre as profissões e corporações. “Toda tecnologia é neutra, e a gente tem que saber como usá-la”, disse Prado, da Intel. “A inteligência artificial não vai ser predominante. Estamos passando por um processo de adaptação, e vamos passar com louvor, porque somos adaptáveis. A IA vai nos ajudar a ganhar tempo para outras coisas, mas não vai substituir o fator humano.”

Fonte: Valor Econômico
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