23 out CNC acompanha debate no Senado sobre PEC da redução da jornada de trabalho
CNC acompanha debate no Senado sobre PEC da redução da jornada de trabalho
Confederação destaca necessidade de negociação coletiva e alerta para impactos econômicos da proposta.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) acompanhou, nesta terça-feira (21), a audiência pública realizada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado para debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 148/2015. A proposta, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), prevê a redução da jornada semanal de trabalho, sem redução dos salários e garantia de dois dias consecutivos de descanso.
O debate reuniu especialistas acadêmicos, representantes do setor produtivo, sindicatos, parlamentares e órgãos de fiscalização trabalhista. Entre os participantes estavam o professor José Pastore (USP) e o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho (FGV).
Durante a audiência, foram apresentados dados de produtividade, impactos econômicos e experiências internacionais. Os especialistas alertaram para os desafios da implementação da medida, especialmente diante da baixa produtividade brasileira e das incertezas fiscais.
Fernando de Holanda Barbosa Filho observou que a produtividade geral da força de trabalho brasileira permaneceu estagnada, com queda de 4,5% em 2022 e crescimento médio anual de apenas 0,6% nos últimos 40 anos, e que os maiores beneficiados com a redução de jornada seriam trabalhadores de maior escolaridade. O economista explicou que o baixo crescimento da produtividade limita a capacidade de manter salários e a competitividade das empresas, além de impactar negativamente o PIB e o valor agregado da economia. Barbosa Filho também reforçou que a PEC subestima custos e desafios econômicos, especialmente diante de incertezas fiscais e da competitividade internacional.
O professor José Pastore destacou que, na maioria dos países onde houve redução, a jornada legal é superior à efetivamente praticada, permitindo ajustes por negociação coletiva, enquanto a França representa a exceção, com média legal de 35 horas que pode ser excedida. Pastore enfatizou que mudanças de regras fundamentais de trabalho exigem cautela, ressaltando que a redução da jornada somente será viável com aumento de produtividade, atualmente baixa no Brasil. Destacou, ainda, que não há evidência de que a redução por lei gere empregos e que todo direito implica custo para empregadores. Por fim, Pastore defendeu a negociação coletiva como instrumento adequado para equilibrar interesses de empregados e empregadores.
A CNC reforça a importância do diálogo institucional e da construção de soluções equilibradas para o mundo do trabalho. Embora reconheça os avanços sociais propostos pela PEC, a Confederação destaca que a redução da jornada sem diminuição salarial pode representar aumento de custos para as empresas, especialmente micros e pequenas, com impactos negativos na empregabilidade e competitividade.
A entidade defende que a regulamentação das condições de trabalho seja feita prioritariamente por meio de instrumentos coletivos, conforme previsto na Constituição Federal, respeitando as realidades econômicas e produtivas de cada segmento. Para a CNC, o crescimento econômico sustentado e a qualificação profissional são fatores essenciais para a geração de empregos formais e para o fortalecimento do mercado de trabalho.
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