26 abr Com confiança em baixa, empresa de porte médio prevê corte de vaga
Com confiança em baixa, empresa de porte médio prevê corte de vaga
Percepção de piora da economia brasileira e de crescentes incertezas políticas e sociais impacta indicador medido pela Fundação Dom Cabral.
A confiança do empresário brasileiro de médio porte recuou 3,2 pontos ante o segundo semestre de 2022, para 41,6 pontos, de acordo com o Índice de Confiança das Médias Empresas (ICME), da Fundação Dom Cabral (FDC). Números abaixo de 50 pontos indicam menor confiança.
O recuo do ICME foi puxado por uma queda de 7,4 pontos no componente de avaliação das condições atuais, impulsionada, por sua vez, pela percepção de piora da economia brasileira e de crescentes incertezas políticas e sociais.
Os dados foram coletados entre 6 de fevereiro e 6 de março deste ano junto a 1.513 empresas brasileiras de médio porte.
Por setor, a confiança dos empresários recuou 4,3 pontos na indústria, 2,9 pontos no comércio e 2 pontos em serviços. A queda menor deste último pode refletir a grande diversificação setorial, a maior presença dos serviços na economia e um tempo mais longo para que o setor seja afetado por flutuações no ambiente econômico e empresarial, segundo a FDC.
Com relação às condições gerais das empresas, houve indicação de redução da demanda, o que impactou negativamente a percepção dos empresários.
Em meio ao baixo nível de confiança, as empresas de médio porte projetam redução de 0,86% dos postos de trabalho nos próximos meses. O comércio é o que espera a maior queda, de 1,2%, o que implica 9 mil a 27 mil vagas a menos, de acordo com a FDC. As indústrias têm uma expectativa de redução de 1,1% (diminuição de 15 mil a 45 mil postos), enquanto as empresas de serviços esperam queda de 0,5% (2 mil e 39 mil postos).
“Devido ao volume alocado de postos de trabalho nas médias empresas, mesmo uma pequena variação negativa entre 0,5% e 1,2% impacta um grande número de pessoas, que somadas podem chegar a 111 mil trabalhadores perdendo os seus empregos”, diz Áurea Ribeiro, professora da FDC.
Apesar do recuo na taxa de confiança, houve avanço de 1,4 ponto nas expectativas para os próximos seis meses. O índice de expectativas futuras ainda está, porém, abaixo de 50 pontos, em 43,7. “O empresário brasileiro, em geral é otimista, pois mesmo percebendo um ambiente atual pouco favorável para os negócios, acredita na força da sua empresa”, diz Ribeiro.
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