“Com medo de linguiça”, setores com folha desonerada querem prorrogação sem esperar reforma tributária

“Com medo de linguiça”, setores com folha desonerada querem prorrogação sem esperar reforma tributária

Publicado em 20 de abril de 2023

Os 17 setores contemplados hoje já encaminharam prorrogação por quatro anos, com apoio de Alckmin.

Depois do estresse que foi a prorrogação da desoneração da folha de pagamento para 17 segmentos econômicos, representantes desses setores já providenciaram o início da tramitação de um novo adiamento da medida, mesmo com o aceno do governo Lula de contemplar todas as empresas na reforma tributária.

— Cachorro mordido por cobra tem medo até de linguiça — justificou à coluna o presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira.

Nesta quarta-feira (19), executivos desses segmentos estiveram reunidos com o ministro da Indústria, Comércio e Desenvolvimento, Geraldo Alkmin. Segundo Ferreira, Alkmin apoiou a reivindicação.

— Encaminhamos agora um projeto de lei, exatamente nos moldes atuais para não dar problema, com prorrogação por quatro anos. A intenção é aprovar ainda no primeiro semestre  — detalha o presidente da Abicalçados.

Para lembrar, a “mordida de cobra” foi a mais recente prorrogação, definida aos 46 minutos do segundo tempo, depois de muitas idas e vindas com o então ministro da Economia, Paulo Guedes. Na antevéspera do Reveillón de 2021, ainda não havia sanção presidencial à medida. A desoneração foi prorrogada até 31 dezembro deste ano, mas a partir de 1 janeiro de 2024, não havia qualquer garantia.

— Existe uma promessa de que a reforma tributária estenda a desoneração a todos os setores, mas não podemos esperar aprovação das duas etapas, porque  governo sinaliza que isso ficaria para a segunda fase, que vai discutir imposto sobre a renda. Já foi designado um relator, o senador Ângelo Coronel (PSD-BA) e temos apoio de Alckmin. Se houver mesmo a desoneração geral, cai por terra o que pedimos agora, mas não dá para ficar esperando. Não queremos sofrer de novo o que sofremos em 2021 — pondera Ferreira.

O que é a atual desoneração da folha

  • Criada no final de 2012, beneficia 17 atividades, que podem substituir o pagamento de 20% sobre a folha de salários por 1% a 4,5% da receita bruta, excluindo a de exportações.
Fonte: Gaúcha GZH
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