02 dez Com procura maior por vaga, desemprego vai a 14,1%
Com procura maior por vaga, desemprego vai a 14,1%
Índice de outubro é novo recorde na pandemia.
A taxa de desemprego subiu a 14,1% em outubro e bateu novo recorde na pandemia do novo coronavírus, mesmo com a economia gerando empregos e a ocupação em alta desde julho, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid-19.
Em setembro, o desemprego foi de 14%. Razão entre o número de pessoas que buscam vagas e a população economicamente ativa, o índice cresce mês a mês, ainda que em ritmo cada vez menor. Quando a pesquisa começou, em maio, estava em 10,7%, segundo o IBGE.
A população desocupada chegou a 13,763 milhões de pessoas em outubro, também a maior da crise, com aumento de 2,1% ante setembro (13,486 milhões) e de 35,9% ante maio (10,129 milhões).
O número de ocupados no país, entretanto, cresce continuamente desde julho e alcançou 84,134 milhões de pessoas em outubro. De acordo com os pesquisadores do IBGE, o fato indica que, embora o país viva uma retomada econômica, a geração de empregos não tem sido suficiente para absorver o contingente que voltou a buscar emprego após a flexibilização do isolamento social.
Diretor de pesquisas do IBGE, Eduardo Rios define o fenômeno como um “paradoxo” e atribui o desemprego alto ao retorno das pessoas para a força de trabalho. Trata-se dos demitidos na pandemia ou daqueles que já procuravam vagas antes da pandemia, mas tiveram de interromper a busca devido ao isolamento social e, agora, com a flexibilização, voltam à carga. Como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) define que só é considerado desempregado quem declara estar em busca de trabalho, no auge da pandemia esse contingente foi mascarado por força das restrições de circulação.
“Houve [ao longo da crise] um aumento de quase 10 milhões de pessoas no contingente fora da força de trabalho. Com a flexibilização, isso diminui. Estamos falando de grandes números e, à medida que esse contingente fora da força começa a cair, há um choque de oferta de trabalho que faz a taxa de desemprego subir”, diz Rios. Segundo o IBGE, o número de pessoas fora da força de trabalho chegou a 72,7 milhões em outubro, uma queda de 1,9% frente a setembro e 3,5% em relação a maio.
O especialista afirma que essa volta massiva da busca por vagas era esperada pelo IBGE nos meses de julho e agosto, mas se revelou tardiamente, em setembro e outubro. A dúvida, diz, Rios, é se o fenômeno vai se manter ante a possível segunda onda da pandemia de covid-19, quando medidas de isolamento podem voltar seja pelo poder público, seja por iniciativa própria do cidadão. Ele afirma que o comportamento da taxa de desemprego na próxima medição, de novembro, é uma “incógnita”.
Para a gerente da Pnad Covid-19, Maria Lúcia Vieira, também pesaria a sazonalidade natural do mercado de trabalho no fim de ano, quando as indústrias produzem mais e o comércio contrata devido às festas. “Isso aumenta a expectativa de renda das pessoas e ainda mais gente se lança na busca por vagas”, diz Maria Lúcia.
O IBGE também informou que o auxílio emergencial chegou a 29 milhões de domicílios em outubro ou 42,2% do total. Foi o menor percentual coberto pelo benefício desde julho, quando alcançou 44,1% dos lares brasileiros.
Maria Lúcia enxerga dinâmica complementar entre o aumento de ocupados e a baixa na cobertura do auxílio. Com a recuperação da renda, as pessoas estariam deixando de receber o auxílio, cujo valor médio real caiu para R$ 688 em outubro, ante R$ 902 em setembro. Também foi o menor valor desde julho, quando o benefício médio estava em R$ 912.
Ainda segundo o IBGE, o país tinha, em outubro, 4,7 milhões de trabalhadores afastados de suas funções, sendo 2,3 milhões devido à pandemia. Entre os afastados, 900 mil ou 19,2% estavam sem remuneração. Na passagem de setembro para outubro, informou o IBGE, houve quedas de 12,7% e 22,0% respectivamente no número de afastados e afastados devido ao isolamento. Desde o início da pandemia, esses indicadores acumulam quedas de 75,3% e 85,1%.
Finalmente, o número de pessoas em trabalho remoto teve nova queda em outubro. O indicador, que cai seguidamente desde maio, recuou 5% na margem e chegou a 7,6 milhões de pessoas. Desde maio (início da pesquisa), a parcela dos ocupados que têm trabalhado de casa caiu 3,7 pontos percentuais, de 13,3% para 9,6%, com quedas em todos os meses da pandemia. A maior delas aconteceu na passagem de setembro para outubro (0,8 ponto percentual).
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