10 abr Combate ao assédio avança nas empresas, aponta pesquisa
Combate ao assédio avança nas empresas, aponta pesquisa
Estudo com 109 executivos no Brasil indica que o enfrentamento do problema ainda precisa vencer gargalos, como a falta de preparo das chefias para lidar com as denúncias.
Estão em evolução as ações de combate ao assédio moral e sexual nas empresas brasileiras. A existência de normas formais contra o problema avançou de 86%, em 2024, para 93% em 2025; enquanto as políticas de apuração de denúncias cresceram de 79% para 91% entre as companhias.
Os dados são de uma nova pesquisa sobre o tema realizada pela consultoria Protiviti, especializada em compliance, gestão de riscos, tecnologia e inovação. O levantamento foi finalizado em outubro de 2025 com 109 executivos em 13 estados e no Distrito Federal – 70% ocupam cargos de liderança e 40% são da área de compliance.
A maioria dos respondentes (78%) atua em empresas com faturamento acima de R$ 10 milhões, em setores como indústria (21%), serviços profissionais (17%), finanças (15%), varejo (8%) e tecnologia (7%).
“Apesar da boa notícia, há pontos de atenção”, pondera Daniela Aggio, diretora-executiva de forensics & integrity da Protiviti. “Quase metade [49%] das empresas seguem sem ações de apuração de casos e há espaço para ampliar a aprovação formal, pela alta liderança, de políticas de combate, reforçando o compromisso institucional com o assunto.”
Aggio vê fragilidades também nas frentes usadas pelas organizações para conter os abusos, como canais de denúncias, equipes de investigação e na capacitação das lideranças.
“A maioria [91%] tem canais de denúncias para atos infracionais [como fraudes e roubos], mas apenas 11% contam com um canal específico para assédio e desvios comportamentais, situação que pode aumentar a sensação de insegurança das vítimas”, aponta. “Nove por cento não apresentam nenhuma ferramenta de reporte.”
Nas fases de averiguação dos relatos, diz a consultora, a maioria ou 72% utiliza uma equipe interna, mas 26% ainda não receberam treinamento sobre o assunto. “Ou seja, um quarto dos profissionais que investiga as delações não foi treinado, o que pode gerar condenações injustas, a manutenção dos assediadores nos quadros ou passivos trabalhistas.”
Sobre a participação da liderança no enfrentamento do problema, três em cada quatro gestores não estão preparados para receber as denúncias. “A maior parte [63%] saberia reagir apenas ‘parcialmente’ a uma queixa; 26% afirmam saber como proceder ‘com segurança’ e 11% não saberiam como agir”, detalha.
Diante dos resultados do estudo, Aggio afirma que o trabalho de erradicação à importunação moral e sexual no ambiente corporativo é uma jornada contínua. “Evoluímos na pauta, mas não podemos nos acomodar”, alerta.
Além de fortalecer a participação das diretorias nesse debate, é preciso incluir indicadores de casos nos ‘dashboards’ (painéis de controle) dos líderes e garantir proteção para quem atua diretamente contra as importunações nos expedientes, aponta. “Mais de 50% afirmam contar com o apoio da alta cúpula e de proteções formais, mas quase 30% dos pesquisados relatam alguma sensação de vulnerabilidade [no confronto das ocorrências].”
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