Comércio alerta que fim do 6×1 afetará renda menor e abertura aos domingos

Comércio alerta que fim do 6×1 afetará renda menor e abertura aos domingos

Publicado em 16 de abril de 2026

Uma das primeiras reações do varejo caso ao projeto de lei enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional para acabar com a jornada 6×1, com limite de 40 horas semanais e abrindo caminho para regime de 5×2, foi colocar em dúvida a abertura aos domingos. Os supermercadistas, que não conseguem preencher vagas hoje em lojas, temem que a mudança trabalhista inviabilize o funcionamento neste dia da semana onde há convenção para essa operação.

Dirigentes ouvidos pela coluna Minuto Varejo atentam ainda para redução de renda, que afetaria vendas do setor, e cobram discussão sobre o futuro da jornada. “Pode, sim, inviabilizar o domingo. Hoje já está difícil a questão da mão de obra, que está cada vez mais restrita”, vincula o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Junior. Mais setores gaúchos reagiram, como o Sinduscon-RS  e Fiergs.

“Vamos lutar até o final contra a proposta, sem flexibilizar nada. Está no forno um movimento do Bloco Empresarial, que contempla oito entidades, para fazer uma campanha em vídeo com vistas a esclarecer para a população como isso será prejudicial, aumentando diretamente os custos e por consequência os preços finais”, adianta Peruzzo Junior. No grupo, estão Federasul, CDL Porto Alegre, SindilojasPOA, Federação Varejista do RS.

Para o presidente da CDL Porto Alegre, Carlos Klein, a preocupação é com impactos para a renda de trabalhadores, associados ao repasse de “maior custo gerado pela redução da jornada de trabalho”. “Muito cruel com o trabalhador a ilusão de que a jornada será reduzida sem redução de salários. Ingenuidade ou ignorância colocar a discussão sobre a mesa dessa forma”, lamenta Klein:

“Esse assunto precisa ser discutido de forma transparente, sincera e honesta”. O dirigente da câmara porto-alegrense aponta ainda efeitos para o setor, com “menor poder de compra”. “Menos poder de consumo, menos vendas, menos produção, menos crescimento do PIB, menos arrecadação tributária”, lista Klein.

O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, afirma que o governo federal quer promover “melhoria de qualidade de vida com canetaços populistas”. “Leis não fazem mágicas. Limitar contratos de trabalho formais com regras mais restritivas, que vão se somar a todos os encargos já existentes na CLT, sem discutirmos formas de aumentar a produtividade que realmente possam elevar a renda e aumentar o tempo de lazer das pessoas, apenas tira as pessoas da formalidade e dificulta muito a rotina das empresas”, reage Bohn, em nota enviada à coluna.

Arcione Piva, presidente do SindilojasPOA, foi direto: “Um horror, especialmente para os micro e pequenos empreendedores do varejo! Se de fato for aprovado, será um retrocesso gigante no mercado de trabalho!”, elevou o tom. “É oportunismo político, o que tira o caráter legal. Precisamos de mais tempo para discutir o tema e, especialmente, ver quais contrapartidas serão dadas para minimizar os impactos financeiros para as empresas”, projetou o presidente do SindilojasPOA.

“Somos favoráveis à modernização da legislação trabalhista. As relações de trabalho exigem mais flexibilidade. O ideal seria que o próprio trabalhador tivesse maior autonomia para decidir onde trabalhar, quantas horas dedicar e por qual remuneração”, defende Ivonei Pioner, presidente da Federação Varejista do RS, lembrando que o “debate ainda enfrenta resistência e, frequentemente, é tratado de forma populista, com viés político”.

Ante o PL enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Pioner adverte que vai gerar “redução de empregos, realocação de funções e demissões e recontratações do modelo novo”. “O trabalhador não passa a receber mais, mas a ter mais horas livres. Ele vai buscar um segundo emprego para ter renda maior”, relaciona o dirigente varejista.

Fonte: Jornal do Comércio
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