16 abr Comércio alerta que fim do 6×1 afetará renda menor e abertura aos domingos
Comércio alerta que fim do 6×1 afetará renda menor e abertura aos domingos
Uma das primeiras reações do varejo caso ao projeto de lei enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional para acabar com a jornada 6×1, com limite de 40 horas semanais e abrindo caminho para regime de 5×2, foi colocar em dúvida a abertura aos domingos. Os supermercadistas, que não conseguem preencher vagas hoje em lojas, temem que a mudança trabalhista inviabilize o funcionamento neste dia da semana onde há convenção para essa operação.
Dirigentes ouvidos pela coluna Minuto Varejo atentam ainda para redução de renda, que afetaria vendas do setor, e cobram discussão sobre o futuro da jornada. “Pode, sim, inviabilizar o domingo. Hoje já está difícil a questão da mão de obra, que está cada vez mais restrita”, vincula o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Junior. Mais setores gaúchos reagiram, como o Sinduscon-RS e Fiergs.
“Vamos lutar até o final contra a proposta, sem flexibilizar nada. Está no forno um movimento do Bloco Empresarial, que contempla oito entidades, para fazer uma campanha em vídeo com vistas a esclarecer para a população como isso será prejudicial, aumentando diretamente os custos e por consequência os preços finais”, adianta Peruzzo Junior. No grupo, estão Federasul, CDL Porto Alegre, SindilojasPOA, Federação Varejista do RS.
Para o presidente da CDL Porto Alegre, Carlos Klein, a preocupação é com impactos para a renda de trabalhadores, associados ao repasse de “maior custo gerado pela redução da jornada de trabalho”. “Muito cruel com o trabalhador a ilusão de que a jornada será reduzida sem redução de salários. Ingenuidade ou ignorância colocar a discussão sobre a mesa dessa forma”, lamenta Klein:
“Esse assunto precisa ser discutido de forma transparente, sincera e honesta”. O dirigente da câmara porto-alegrense aponta ainda efeitos para o setor, com “menor poder de compra”. “Menos poder de consumo, menos vendas, menos produção, menos crescimento do PIB, menos arrecadação tributária”, lista Klein.
O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, afirma que o governo federal quer promover “melhoria de qualidade de vida com canetaços populistas”. “Leis não fazem mágicas. Limitar contratos de trabalho formais com regras mais restritivas, que vão se somar a todos os encargos já existentes na CLT, sem discutirmos formas de aumentar a produtividade que realmente possam elevar a renda e aumentar o tempo de lazer das pessoas, apenas tira as pessoas da formalidade e dificulta muito a rotina das empresas”, reage Bohn, em nota enviada à coluna.
Arcione Piva, presidente do SindilojasPOA, foi direto: “Um horror, especialmente para os micro e pequenos empreendedores do varejo! Se de fato for aprovado, será um retrocesso gigante no mercado de trabalho!”, elevou o tom. “É oportunismo político, o que tira o caráter legal. Precisamos de mais tempo para discutir o tema e, especialmente, ver quais contrapartidas serão dadas para minimizar os impactos financeiros para as empresas”, projetou o presidente do SindilojasPOA.
“Somos favoráveis à modernização da legislação trabalhista. As relações de trabalho exigem mais flexibilidade. O ideal seria que o próprio trabalhador tivesse maior autonomia para decidir onde trabalhar, quantas horas dedicar e por qual remuneração”, defende Ivonei Pioner, presidente da Federação Varejista do RS, lembrando que o “debate ainda enfrenta resistência e, frequentemente, é tratado de forma populista, com viés político”.
Ante o PL enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Pioner adverte que vai gerar “redução de empregos, realocação de funções e demissões e recontratações do modelo novo”. “O trabalhador não passa a receber mais, mas a ter mais horas livres. Ele vai buscar um segundo emprego para ter renda maior”, relaciona o dirigente varejista.
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