21 mar Como são os espaços de home office dos executivos
Como são os espaços de home office dos executivos
Para manter o bem-estar e a produtividade, eles investem no local de trabalho em casa que agora é permanente.
Seja qual for o formato de expediente que vai prevalecer em 2022 – presencial, híbrido ou 100% remoto -, os dois anos de pandemia deixaram um legado para executivos de alta performance. Longe dos escritórios por conta do distanciamento social, eles construíram ou adaptaram em casa ambientes de trabalho tão bons quanto aqueles que usavam nas empresas, antes da crise sanitária. A tendência é que essa frente de produção doméstica siga ativa para sempre.
“De acordo com uma pesquisa em que entrevistamos 850 diretores de companhias e líderes de capital humano em 17 mercados no mundo, a produtividade segue em alta no home office”, afirma Fábio Battaglia, CEO da Randstad Brasil, consultoria de recursos humanos com foco em recrutamento e seleção. “Mais da metade (53%) dos empregadores acreditam que a força de trabalho é tão ou mais produtiva em casa quanto no escritório.” No Brasil, o estudo indica que o país supera até a média global, com 70% afirmando que as equipes estão com entregas mais aceleradas desde que adotaram o modelo remoto.
Trabalhando a distância desde 17 de março de 2020, Cláudia Lopes, diretora comercial e de marketing da Generali, multinacional do setor de gestão de ativos e seguros, lembra que logo no início da fase de home office obrigatório elegeu a mesa da sala de jantar como “QG”. “Ficar sentada por mais de dez horas ao dia em um local para curtas ‘estadias’ acabou me dando dor nas costas”, diz a executiva. “Durante as refeições, eu simplesmente arrastava o notebook para o lado e, por milhares de vezes, no meio do almoço ou jantar, respondia e-mails.”
A reforma no apartamento de 105 metros quadrados no bairro Jardim Marajoara, em São Paulo (SP), começou a sair do papel depois de alguns meses de isolamento social. “Sempre com a esperança de que íamos ‘voltar’ logo.” Quando o termo “trabalho híbrido” ficou mais comum, ela contratou uma arquiteta para desenhar um melhor ponto de apoio para sua rotina.
A antiga sala de TV da residência de três quartos ganhou mobília, iluminação e refrigeração adequadas para o home office depois de uma obra de três semanas. Custou R$ 20 mil. “Hoje tenho um ambiente tranquilo. Minha rotina mudou.”
Na Generali desde 2016, Lopes viu a produtividade subir cerca de 30% longe das baias da empresa. “Como ‘sou’ comercial, gastava tempo com deslocamentos entre reuniões presenciais, agora feitas por videoconferência.” Somente no fechamento de parcerias de distribuição de produtos, 2020 foi um dos melhores anos do seu plano de metas. Foram 15 acordos assinados, ante nove em 2019.
Mas nem tudo é positivo na experiência remota, avisa. Com cada executivo na sua “concha”, mesmo com reuniões semanais, é preciso driblar possíveis perdas na discussão de novas ideias, avalia Lopes.
Como são os home offices dos executivos
A Generali não tem data para voltar à rotina pré-covid e, quando regressar, será no esquema de três dias presenciais por semana. Por isso, no apartamento de Lopes, o espaço de trabalho ganhou “status” de definitivo. Além dela, que continuará a produzir no local pelo menos duas vezes por semana, o marido, controller de uma banca de advocacia, decidiu operar 100% do tempo de casa.
A cinco quilômetros dali, no bairro da Vila Cruzeiro, o posto de comando de Christiane Berlinck, CHRO (chefe de recursos humanos, do inglês) da OLX Brasil, fica na cobertura do apartamento e dá para ouvir os passarinhos de um parque vizinho. “A natureza me reenergiza”, diz ela, contratada pela companhia de e-commerce em janeiro, depois de onze anos na IBM.
Sem um gabinete em casa antes das restrições de circulação, Berlinck resolveu começar uma reforma do zero. “Não tinha nem o cômodo nem a mobília necessária. Agora estou comprando uma cadeira mais ergonômica”, afirma ela, que costuma trabalhar de dez a onze horas por dia.
Para a executiva, a troca de cenário resultou em ganho de qualidade de vida. Antes, começava a trabalhar às 9h, terminava por volta das 19h e chegava em casa às 20h. No home office, a jornada se inicia pouco antes das 8h, depois de fazer exercícios físicos e levar a filha de onze anos à escola. O batente vai até às 19h e o intervalo de almoço encurtou.
Não tem mais o “social” que havia na época do presencial e as reuniões via Zoom são mais objetivas, diz. “Quando a minha filha chega da aula, conseguimos conviver mais antes da hora de dormir. É de um valor inestimável vê-la crescer.”
A OLX anunciou a reabertura dos escritórios para o dia 28 de março. A partir dessa data, os funcionários poderão trabalhar presencialmente até dois dias por semana. “Como o modelo adotado privilegia o trabalho remoto, o escritório em casa continuará em uso.”
Laura Vicentini, vice-presidente das marcas de cuidados femininos e de bebês na P&G, como Always e Pampers, diz que mais do que se preocupar com a infraestrutura física para dinamizar o batente diário, não se deve esquecer os limites entre moradia e corporação. “É mais fácil perder a noção do tempo em casa e de horas conectada”, afirma ela, há 16 anos na companhia. “Para o bem da saúde mental e física, é essencial saber o momento de dizer ‘chega’, aproveitar outros cantos da casa e as pessoas.”
Mãe de dois filhos, de nove e seis anos, Vicentini lembra que, no começo do confinamento, com as crianças tendo aulas remotas, tudo parecia mais difícil. “Tinha de me dividir entre ajudá-los nas lições e não interromper a produção do dia.” Para dar conta de tudo, mudou os horários de entrega. Começou a trabalhar mais tarde para estar à disposição dos pequenos e deixou o computador ligado por mais tempo. Como mantinha, desde 2019, um escritório pronto em casa, no bairro paulistano do Real Parque, a agenda fluiu melhor do que o esperado.
A saleta de oito metros quadrados é rodeada de janelas panorâmicas, com muita luz natural. Só precisei aumentar a capacidade da internet e usar mais os fones de ouvidos nas conferências, diz a executiva, que compartilha o espaço, desde o primeiro dia da pandemia, com o marido, CEO de uma startup da área de seguros. “No início, foi difícil dividir o local”, lembra. “Mas hoje, conhecemos melhor o que cada um faz e quem são os nossos colegas de trabalho. O escritório em casa nos aproximou ainda mais.”
Sorry, the comment form is closed at this time.