01 jul Companhia “empática” rende mais
Companhia “empática” rende mais
Alinhar os interesses dos colaboradores com necessidades organizacionais pode melhorar o desempenho corporativo.
Diretores de RH de grandes empresas e especialistas em formação de lideranças afirmam que a gestão mais empática e humanizada ganhou corpo com a pandemia e deve continuar quando o regresso aos escritórios for possível. Além de gerar benefícios para os liderados, com maior atenção às preferências pessoais e suporte às rotinas de trabalho, esse tipo de gerenciamento é associado ao avanço nos resultados das companhias.
“Alinhar os interesses dos colaboradores com necessidades organizacionais pode melhorar o desempenho corporativo”, afirma Luiz Barosa, sócio de capital humano da consultoria Deloitte.
Um relatório da Humanizadas, startup criada a partir de um grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), indica uma maior percepção de “cuidado genuíno” das empresas com os colaboradores, com aumento de 37% na comparação entre organizações de diferentes estágios de maturidade. Também indica mais confiança nas relações de trabalho (18%) e percepção de bem-estar (23%).
De acordo com o estudo, que abordou 226 organizações, firmas mais “compassivas” apresentam uma rentabilidade 3,5 vezes superior à média das 500 maiores companhias do país.
Pedro Ernesto Paro, CEO e fundador da Humanizadas, que estudou no levantamento corporações como Magalu e Natura, identifica dois movimentos a favor de uma gerência mais compreensiva. O primeiro envolve o uso de indicadores de satisfação, engajamento e felicidade que possam apoiar tomadas de decisão, e um outro que marca a proximidade entre lideranças e colaboradores. “A qualidade das relações de trabalho também tem influência na performance das organizações”, garante.
Na opinião de Raquel Nogueira, gerente executiva de recursos humanos da farmacêutica Sanofi Consumer Healthcare, com 500 funcionários no Brasil, uma das estratégias da corporação é incentivar as lideranças para que os bons exemplos de compreensão partam “de cima”. Com isso, os colaboradores percebem que ser empático não diz respeito a um discurso corporativo, mas é um ativo essencial da cultura da empresa, diz.
Em abril, o grupo criou uma campanha, batizada de “April Wellness” (bem-estar de abril, do inglês) com ações como sextas-feiras de meio expediente e uma semana sem reuniões via Zoom.
Outro ponto essencial nesse último ano, diz Raquel, foi normalizar eventos domésticos nas agendas virtuais. Os funcionários não precisam sentir vergonha do gato que passa na frente da câmera ou do barulho de panela ao fundo, detalha. “Não podemos fazer com que as pessoas fiquem desconfortáveis nas próprias casas.”
Felipe Azevedo, CEO da LG lugar de gente, marca de 35 anos de mercado que desenvolve tecnologias para gestão do capital humano, diz que um dos principais desafios impostos pelo distanciamento social é fazer com que o gestor fique “próximo” das equipes. Para driblar a distância, recomenda, é possível montar treinamentos com técnicas de gamificação ou criar workflows de processos por meio de chatbots ou no celular.
Lígia Costa, CEO da empresa Thank God it’s Today, que oferece treinamentos para a formação de líderes compassivos, afirma que a empatia só acontecerá no ambiente de trabalho se a chefia praticar a escuta atenta e o respeito à diversidade. “Precisamos construir relações de confiança”, diz. Laços superficiais geram desconexão no trabalho, afirma a especialista, que atende grupos como Klabin e P&G.
“Os departamentos de RH podem orientar os gestores a criar conexões verdadeiras com as equipes”, afirma Lígia. “O momento não é mais sobre mandar, ser agressivo ou controlar horários, mas de incentivar o time a dar o melhor, nas condições existentes.”
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