09 jun Companhias apostam em “vale-turismo” e férias ilimitadas para funcionários
Companhias apostam em “vale-turismo” e férias ilimitadas para funcionários
Novo benefício ajuda empregado a pagar despesas com as férias.
Não são apenas os executivos que estão repensando as férias ou os momentos de descanso após dois anos de pandemia. As áreas de recursos humanos de empresas de vários portes estão buscando inovar nesse aspecto, de olho em diferenciais competitivos para atrair e reter talentos. Entre as inovações, estão benefícios como “vale-turismo” e até férias ilimitadas para funcionários.
“Com o passar do tempo de pandemia, percebemos que precisávamos fornecer ferramentas para estimular as pessoas a se reconectarem pós isolamento e também a entenderem melhor seus momentos de descanso”, diz Marcela Zaidem, chief people officer da startup de serviços financeiro Hash. Adotando o home office como modelo principal de trabalho, a empresa está oferecendo desde fevereiro deste ano uma plataforma a seus 210 funcionários onde eles podem agendar hotéis e voos e marcar viagens com um crédito que a Hash disponibiliza mensalmente. Sem desconto de salário ou do dinheiro de férias garantido pela legislação.
A plataforma foi desenvolvida pela Férias&Co , startup que vem tentando convencer os RHs que eles podem transformar viagens em benefício corporativo, pagando uma quantia mensal para estimular que eles viajem mais, principalmente pós-impacto da pandemia. “A mentalidade das pessoas e empresas em relação aos momentos de descanso e de lazer mudou e a ascensão do ‘anywhere office’ vai estimular com que as pessoas viajem mais, de férias, ou conciliando com a rotina de trabalho”, diz o cofundador Bruno Carone.
Desde agosto de 2021, quando o cenário de viagens começou a melhorar após a chegada das vacinas, a startup foi contratada por 50 companhias, de vários setores e tamanhos, e hoje sua plataforma é acessada por 5 mil funcionários. A meta é chegar a 300 empresas até o fim do ano – o que representaria 50 mil funcionários atendidos.
De modo simplificado, as empresas que aderem à Férias&Co depositam um valor para cada um de seus funcionários que é transformado em crédito para ser utilizado na plataforma de viagens da startup. Cada empresa define quanto quer gastar, e a maioria opta pelo valor de R$ 90 mensais por funcionário, totalizando um plano de R$ 1.080 ao ano por pessoa.
Esse crédito já pode ser usado pelo funcionário no primeiro mês da adesão do benefício. Ele pode escolher, também, replicar o valor mensal, aportando do próprio bolso, para aumentar o crédito que tem disponível na plataforma – algo que 70% dos 5 mil funcionários com acesso fizeram, segundo Carone. É atrativo para os funcionários, diz o empreendedor, porque a Férias&Co consegue eventualmente oferecer descontos em passagens, e principalmente em hotéis, por negociar diretamente com os fornecedores- é daí, aliás, que a empresa ganha dinheiro e não dos RHs.
Atualmente, a plataforma disponibiliza 400 mil opções de passagens aéreas e hospedagem ao redor do mundo.
A Olist, startup de e-commerce para marketplace com 1,4 mil funcionários, diz que oferecer esse benefício ajudou o RH a gerenciar melhor as férias. “As férias são sempre uma dor de cabeça, com o gestor falando que se o funcionário sair, o mundo acaba. Ao ter um benefício flexível, conseguimos como empresa de fato mostrar que tirar períodos de descanso é importante”, diz Danilo Penteado, gerente de relações trabalhistas, remuneração e benefícios. A empresa deposita R$ 360 por funcionário, independentemente de os empregados complementarem o valor.
Uma tendência que Carone tem visto é que os funcionários também estão usando o crédito em viagens menores, para emendas de feriados ou daqueles dias que podem ficar longe do escritório. “Rio de Janeiro é disparado onde temos mais reservas, mas o pessoal de São Paulo, por exemplo, tem usado diárias para hotéis no litoral norte, por exemplo”. Os RHs também querem inovar nas viagens de premiação e Carone diz que tem vendido o serviço para essa finalidade.
A DataHub premiou recentemente quatro executivos de vendas que bateram a meta com um crédito de R$ 10 mil para cada um usar da forma que quiser e em família (e não na viagem em grupo com colegas, de metas de fim de ano).
A agência de viagens Hurb (ex-Hotel Urbano) estabeleceu, há três meses, o que vem chamando de “política de férias ilimitadas”, dizendo que seus funcionários podem programar dias ou um período de descanso para além dos 30 dias obrigatórios por lei. Segundo Pedro Thompson, ex-sócio do BTG e co-CEO do Hurb, até maio, a prática faz sentido dentro de uma visão de prevenção de ansiedade ou sobrecarga. “Esperamos bom senso das pessoas, mas a questão é que todo mundo tem suas necessidades e anseios e a vida precisa estar antes do trabalho”, diz. Há regras, porém. O funcionário precisa fazer o pedido de férias com até 15 dias de antecedência, avisar o gestor e se programar com sua equipe para que sua ausência não prejudique o time. Independentemente de quando se ausente, a remuneração máxima que receberá continuará sendo a de 30 dias, além do adicional previsto.
A advogada trabalhista Caroline Marchi, sócia da área trabalhista do Machado Meyer, vê um movimento positivo, de várias empresas buscando inovar nos benefícios pós-impacto da pandemia e também oferecendo períodos de descanso ou sabáticos. “Com relação às férias, o único ponto de atenção é entender bem a forma de concessão do novo benefício e se ele poderia vir a ser considerado salário indireto.”
Sorry, the comment form is closed at this time.