Conheça iniciativas que buscam igualdade salarial entre homens e mulheres no RS e o que fazem países que se destacam neste objetivo

Conheça iniciativas que buscam igualdade salarial entre homens e mulheres no RS e o que fazem países que se destacam neste objetivo

Publicado em 21 de março de 2023

Estudos mostram que gênero ainda é um elemento relevante na busca por oportunidades no Estado, em prejuízo das mulheres.

Um estudo divulgado neste mês pelo PUCRS Data Social, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, sugere que o gênero ainda é um elemento relevante no mercado de trabalho no Estado, em prejuízo das mulheres. A análise se junta a outras pesquisas que indicam situação semelhante no Brasil e no mundo. Na tentativa de mudar esta realidade, iniciativas do poder público, de entidades privadas e das empresas se tornam cada mais presentes na sociedade.

No Dia Internacional da Mulher, 8 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou medidas para assegurar direitos para as mulheres. Entre elas, um Projeto de Lei (PL) para promover a igualdade salarial entre homens e mulheres que exerçam a mesma função. A proposta deve ser enviada ao Congresso.

No Levantamento sobre Desigualdade de Gênero no Rio Grande do Sul, realizado pelo PUCRS Data Social, a diferença salarial entre gêneros se confirmou em 2021. Enquanto as mulheres gaúchas tiveram uma média de R$ 15,4 por hora remunerada de trabalho, os homens ganharam em média R$ 18,4. Uma tendência que vem se confirmando nos últimos 10 anos, apesar de a força feminina representar 43,2% da população ocupada no Estado. Outro dado divulgado pela pesquisa mostrou que em 2021, o rendimento do trabalho entre os homens era 37,2% maior do que entre as mulheres: elas tiveram uma renda média de R$ 2.380 e eles, R$ 3.267.

Professora adjunta do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Cibele Cheron acredita que o Projeto de Lei proposto pelo governo Federal é significativo, principalmente, porque prevê punição em caso de descumprimento das normas a serem definidas.

—  O pacote traz a obrigatoriedade, que é uma palavra que não existia até então, e a punição para um cenário em que as punições ainda são muito frágeis. Precisamos de leis que imponham a equidade salarial e políticas públicas que coloquem a obrigatoriedade de mulheres no mercado de trabalho com remuneração compatível, até porque as mulheres têm escolarização maior do que a escolarização média dos homens. O que não quer dizer que não precise se investir na capacitação delas. É preciso entender também que para as mulheres é necessário desenvolver outros equipamentos públicos que não falam de capacitação ou formação — adverte Cibele.

Segundo a professora, que desenvolveu uma tese de doutoramento sobre a desigualdade de gênero no mercado de trabalho na Região Metropolitana de Porto Alegre, se não houver aparelhos públicos, como creches e instituições de educação infantil, não há possibilidade das mulheres trabalharem e se desenvolverem.

— Uma brincadeira que fazemos é que o buraco no nosso currículo é casar e ter filhos. Existe a crença de que as mulheres precisam escolher se elas querem ter uma carreira ou querem ser mães. O que é extremamente injusto porque para fazer um filho é preciso duas pessoas. Mas só uma delas, a do gênero feminino, é que será penalizada profissionalmente com relação a esta escolha parental — aponta Cibele.

O apontamento feito pela professora vai ao encontro ao que indica o coordenador do PUCRS Data Social, André Salata. Para ele, uma das razões para a desigualdade salarial entre homens e mulheres apontadas na pesquisa é, justamente, o fato de as mulheres terem que se dividir entre maternidade, mercado de trabalho e trabalho doméstico. Outras causas apontadas por Salata são a concentração masculina em áreas de maior remuneração, a preferência dos empregadores por homens em cargos de maior prestígio e a chamada discriminação pura, onde numa mesma empresa há diferença salarial entre homens e mulheres no mesmo cargo.

Fonte: Gaúcha GZH
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