Covid deixa 9,7 milhões sem salário em maio; 38,7% dos lares receberam benefício

Covid deixa 9,7 milhões sem salário em maio; 38,7% dos lares receberam benefício

Publicado em 25 de junho de 2020

Pandemia deixa 9,7 milhões sem salário em maio e auxílio chega a 38,7% dos lares.

A pandemia da covid-19 fez 9,7 milhões de trabalhadores ficarem sem remuneração em maio. O grupo equivale a 11,7% da população então ocupada no país (84,4 milhões). É mais da metade (51,3%) dos que estavam afastados de suas atividades devido ao isolamento social. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid-19, divulgada ontem pelo IBGE. Trata-se de versão experimental da Pnad Contínua, que vem colhendo informações semanalmente para medir os impactos da crise.

“São pessoas consideradas na força [de trabalho], mas estão com salários suspensos”, disse o diretor adjunto de pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo. Justamente por isso, a taxa de desemprego no naquele mês ficou estável em 10,7% – dos 94,5 milhões de brasileiros na força de trabalho, 10,1 milhões buscaram emprego sem êxito.

Durante a crise, afirma Azeredo, é possível e até provável que o desemprego não suba, porque os demitidos não devem migrar para o contingente desocupado -que busca emprego – mas para fora da força de trabalho. Aí estão os que não desejam trabalhar e os que não procuraram vagas, mas gostariam de fazê-lo. É esse o grupo que deve ser inflado na crise. “A pessoa não pode sair de casa em busca de emprego e os estabelecimentos estão fechados”, diz o gerente do IBGE.

Ainda assim, o nível de ocupação no mercado de trabalho em maio foi de 49,7%, um recorde negativo, segundo Azeredo. “A pandemia fez com que a população ocupada descesse a menos da metade [da população em idade de trabalhar, 169 milhões de pessoas]. É a primeira vez na história que isso acontece”, observa.

Em maio, entre os 84,4 milhões de ocupados, 18,9 milhões (22,39%) estão temporariamente afastados do trabalho. Destes, 15,7 milhões, ou 82,9% graças à covid-19 e, o restante, por motivo de férias ou licença.

A massa salarial efetivamente recebida pelos trabalhadores brasileiros em maio foi de R$ 157,9 bilhões, ante os R$ 192,9 bilhões que deveriam movimentar normalmente. O rendimento médio efetivamente tocado pelo empregado em maio foi de R$ 1.898,86, quando em situação normal teria sido R$ 2.320,25.

Dos 65,4 milhões de pessoas que seguiram trabalhando, 8,7 milhões, ou 13,3%, passaram a trabalhar de casa. Do total, 29,2 milhões (34,4%) eram trabalhadores informais, informou o IBGE.

O IBGE também pesquisou a dinâmica do auxílio emergencial por faixas de renda. O IBGE e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) consideram que, em maio, o programa focou os mais pobres de forma adequada.

Cerca de 20,3% do gasto total chegou ao decil mais pobre da população e o montante regrediu conforme o aumento da renda média: o segundo decil mais pobre ficou com 18,6% da verba e os mais ricos ficaram com 1,4% do total. Naquele mês, 38,7% dos 68 milhões de domicílios brasileiros foram beneficiados, e quase a metade da população (44,7%) mora em uma casa que recebeu a ajuda. O Estado distribuiu, então, R$ 23,5 bilhões e o valor médio recebido por domicílio ficou em R$ 846,50.

Com o auxílio, a renda domiciliar per capita aumentou, na média, 10,3%, saltando de R$ 1.078,31 para R$ 1.189,79. Como no Brasil o valor da renda domiciliar per capita varia de R$ 10,64 entre os 10% mais pobres e R$ 4.646,14 entre os 10% mais ricos, o impacto do auxílio também variou. O decil mais pobre, por exemplo, viu sua renda per capita saltar 2.136%, chegando a R$ 238,03.

Os repasses chegaram a 71,9% das famílias entre as 10% mais pobres do país, com rendimento per capita de até R$ 56,62, e a 80,7% das famílias do segundo décimo mais pobre da população (renda de até R$ 233,18 por integrante). Diretor-adjunto de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, Marco Cavalcanti afirma que o grau de cobertura do auxílio é exitoso. “Chegou a quem mais precisava e com magnitude expressiva”, diz Cavalcanti chama atenção o valor do auxílio se comparado com a renda domiciliar per capita desse grupo.

Fonte: Valor Econômico
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