11 mar Criação de emprego com carteira perde força em janeiro
Criação de emprego com carteira perde força em janeiro
Em relação ao mesmo período do ano passado, geração de vagas formais caiu mais de 100 mil.
O mercado de trabalho registrou em janeiro a abertura de 155.178 vagas com carteira assinada, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Previdência. O resultado ficou ligeiramente acima da mediana das expectativas de 19 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data (145 mil).
“Nos últimos meses, temos visto especialistas dizendo que o emprego formal está diminuindo, a economia se precarizado”, comentou o secretário executivo do Trabalho e Previdência, Bruno Dalcolmo, na apresentação dos números. “Isso não tem ancoragem com os dados reais da economia brasileira apresentados neste momento.”
Em sua avaliação, o resultado de janeiro marca a normalização do mercado de trabalho após dois anos de dificuldades na economia brasileira e mundial. Já o resultado abaixo das 257.059 vagas criadas em janeiro de 2021, segundo ele, reflete a diminuição do impacto Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm).
Dalcolmo ressaltou que a não renovação do programa não significou desemprego, como alguns chegaram a temer. A resposta do governo, desde aquela época, disse, era que não haveria um salto no desemprego porque a economia já estaria em recuperação.
Para economistas consultados pelo Valor, no entanto, o dado de janeiro apenas reforça o cenário de desaquecimento do mercado de trabalho.
“O saldo de janeiro pode ser associado tanto a efeitos defasados do crescimento da economia no quarto trimestre como pelo efeito positivo das contratações de fim de ano”, nota o economista da Tendências Lucas Assis.
Alexandre Nunes Teixeira, da MCM, ressalta que a tendência de desaceleração fica evidente quando se olha o nível de admissões, que está menor do que em meses passados, ao passo que as demissões cresceram na margem.
“Indústria, serviços e construção civil, os setores que mais empregam, também começam a fazê-lo em ritmo menor, ao passo que segmentos que observaram alguma alta no ritmo de admissões são os que representam fatia menor do mercado”, acrescenta.
A MCM projeta criação líquida de 1,5 milhão de vagas em 2022. O balanço de riscos, no entanto, é negativo por causa de questões como o aumento da inflação, o risco de uma Selic mais alta e também a guerra na Ucrânia.
Para Tiago Barreira, da IDados, a aceleração da inflação tende a ser o fator mais importante devido à perda de dinamismo da geração de empregos. “Isso se reflete por dois motivos. O primeiro, indireto, é o aumento dos juros pelo Banco Central, o que nos leva a crer em uma atividade muito mais fraca. O segundo é que prejudica o poder de compra das famílias e o consumo”, argumenta.
A IDados prevê criação de 528 mil vagas em 2022 e admite rever para cima sua projeção após o dado de janeiro, mas sem que isso represente uma mudança na tendência. “São muitas incertezas, principalmente agora com a crise no Leste Europeu”, diz.
“O governo tem falado em torno de 1,5 milhão e 2 milhões de vagas este ano, mas não acreditamos que esse seja o caso”, diz Assis, da Tendências. A casa projeta criação de 800 mil vagas em 2022. “O cenário bastante desafiador, com crescimento do PIB nulo, deve tornar a recuperação do mercado bastante limitada.”
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