02 jul Criação forte de vagas reforça sinais de recuperação sólida
Criação forte de vagas reforça sinais de recuperação sólida
Mercado de trabalho surpreende em maio e gera 281 mil postos.

A surpresa positiva com o desempenho do emprego formal em maio reforçou, entre analistas, a percepção de retomada sólida da atividade no Brasil e a possibilidade de o ano fechar com 2 milhões de novas vagas com carteira assinada. Também indicou, porém, a estreita relação que alguns setores ainda guardam com o “abre e fecha” da economia.
Pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o país gerou 281 mil postos registrados em maio, vindo de 177 mil em março e 116,4 mil em abril, meses mais afetados pela piora da pandemia e maiores restrições sociais. O número de maio ficou bem acima da previsão mediana de 150 mil colhida pelo Valor Data.
Com ajustes sazonais, a XP estima que a passagem foi de 96 mil postos em abril para 237 mil em maio, enquanto a LCA Consultores vê evolução de 25,8 mil para 277,4 mil. “Na divulgação passada, houve surpresa baixista. Agora, foi uma baita surpresa positiva. É mais um sinal de recuperação firme da economia depois da segunda onda”, diz Rodolfo Margato, economista da XP.
O saldo de maio está associado a políticas de isolamento mais curtas, combinadas a menor adesão popular, adaptação de negócios e consumidores às novas condições de oferta e demanda impostas pela pandemia, além da rápida recuperação global, com efeitos positivos na atividade doméstica, lista Lucas Assis, economista da Tendências Consultoria. É por isso que, embora todos os setores tenham demonstrado números bons na avaliação dos analistas, o impulso maior no mês veio daqueles mais sensíveis ao afrouxamento de restrições sociais, como os serviços.
Chamou a atenção também que o resultado de maio é explicado mais pelo crescimento das contratações do que pelo controle nas demissões. Segundo o ministério, admissões subiram 11,5% ante abril (de cerca de 1,4 milhão para 1,6 milhão) e desligamentos caíram 0,3% (de 1,271 milhão para 1,268 milhão). Com ajustes sazonais, a XP indica alta de 22,3% nas contratações e de 1,7% nas demissões; a LCA estima 21,5% e 2,2%, na ordem. Bruno Imaizumi, economista da consultoria, pondera, no entanto, que a forte alta das admissões em maio pode ser pontual, compensando contratações adiadas em março e abril por causa da piora da pandemia.
No caso dos desligamentos, ainda que eles tenham avançado em maio, o patamar está próximo do pré-covid (1,27 milhão), observa Margato, da XP. Os analistas atribuem isso a medidas para preservar o emprego formal, como o BEm, para redução ou suspensão de jornadas. “Em maio, segundo novas estimativas incluindo os efeitos da nova edição calculadas pelo Ministério da Economia em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), 3,5 milhões de empregados tinham alguma garantia provisória de emprego, o que representa uma parcela significativa de um pouco mais de 8% do estoque de trabalhadores formais no país”, aponta a LCA.
Imaizumi destaca que os novos contratos no BEm foram, majoritariamente, de pequenas e médias empresas, provavelmente mais afetadas pela segunda onda do que as grandes. De abril a junho deste ano, 70,5% dos acordos envolviam companhias com faturamento inferior a R$ 4,8 milhões, contra 53,9% no ano passado (abril a dezembro).
Luka Barbosa, economista do Itaú Unibanco, concorda que o Caged de maio indica boa recuperação do mercado formal, mas o banco tem preferido acompanhar seu indicador proprietário de emprego desde que mudanças metodológicas no Caged e adaptações à pandemia da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, ampliaram a discrepância entre os dados. O emprego formal na PnadC, ajustado pelo IDAT-Emprego, do Itaú, já aponta recuperação, em maio, do nível pré-covid, ainda sem superação, observa Barbosa.
No Caged dos próximos meses, os números devem continuar sólidos, com junho a agosto “talvez parecidos com maio”, diz Margato. A LCA estima 175 mil novos postos em junho. Para 2021, a XP projeta saldo positivo de 1,8 milhão de vagas formais, mas o número tem viés de alta. A LCA e a Tendências já elevaram suas projeções desse patamar para 2 milhões.
Fatores de risco para o cenário incluem, segundo os economistas, ainda a crise sanitária, com eventual impacto de novas variantes, o ritmo lento da vacinação e o racionamento de energia. “Não é nosso cenário-base, mas monitoramos”, diz Margato. Além disso, a expectativa é que a geração de vagas com carteira, no curto prazo, siga associada ao perfil setorial da atual recuperação econômica, que torna ramos da indústria e segmentos do comércio mais resistentes a riscos, enquanto serviços prestados às famílias ainda sentem o ambiente de incertezas, observa Assis.
Todas regiões do país têm saldo positivo de emprego
Setor de serviços lidera criação de vagas formais em maio.
O mercado de trabalho brasileiro registrou em maio a abertura de 280.666 vagas com carteira assinada. Com isso, o saldo de contratações no acumulado do ano ficou positivo em 1,233 milhão de postos. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram divulgados ontem pelo Ministério da Economia.
O resultado foi novamente comemorado pelo governo. O ministro da Economia, Paulo Guedes, classificou a notícia como “excelente”. “É a economia brasileira se levantando”, afirmou. Para ele, está confirmado que a recuperação é abrangente. “O ritmo está bastante rápido.”
O resultado de maio foi puxado pelo setor de serviços, que no mês registrou saldo positivo de 110.956 postos. No comércio foram criadas mais 60.480 vagas. Além disso, foram 44.146 postos na indústria, 42.526 na agricultura e 22.611 na construção.
A criação de vagas também foi disseminada entre as regiões, com resultados positivos em Sudeste (161.767), Sul (36.929), Nordeste (37.266), Norte (17.800) e Centro-Oeste (26.926).
O secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, avaliou que a geração de empregos formais “certamente” eleva também a geração de empregos informais, “que estão gravitando em torno do setor formal”. Ele destacou que novas medidas voltadas ao mercado de trabalho estão sendo desenhadas, além de ações estruturais em andamento.
Sobre o bônus de Inclusão Produtiva (BIP) e de Incentivo à Qualificação (BIQ), que são a nova política para empregar 2 milhões de jovens, disse que há recursos, mas falta definir detalhes operacionais e obter o sinal verde do presidente Jair Bolsonaro para o lançamento.
Bianco voltou a destacar o papel do Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm) nos resultados de mercado de trabalho. Desde que o BEm foi reeditado, no fim de abril, já foram 2,6 milhões de novos acordos fechados, a maior parte no setor de serviços.
Embora haja a intenção de manter o BEm como um mecanismo a ser acionado em caso de novas calamidades, o governo não acredita que será necessário prorrogá-lo neste ano, disse Bianco.
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