20 out CUT abre canal para receber denúncias de assédio eleitoral em local de trabalho
CUT abre canal para receber denúncias de assédio eleitoral em local de trabalho
Para o presidente da central, Sérgio Nobre, coação pode influenciar no resultado do segundo turno. O trabalhador pode se identificar ou fazer a denúncia de forma anônima.
Em menos de duas semanas, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) já recebeu 101 denúncias de assédio eleitoral no local de trabalho. A essas se juntam mais 44 recebidos esta semana por outras centrais, como Força Sindical, UGT e CTB. Por meio de canais de denúncia, criados em seus portais, o movimento sindical criou uma ação conjunta para encaminhar os casos ao Ministério Público do Trabalho. O presidente da CUT, Sérgio Nobre, teme esse tipo de assédio possa influenciar no resultado da eleição do dia 30.
As esquipes das centrais estão reunidas hoje para atualizar números e verificar a origem de cada denúncia. Para os dirigentes, a soma desta tarde, de 145 casos, tende a aumentar.
O canal de denúncias da CUT entrou no ar no dia 7. O trabalhador pode se identificar ou fazer a denúncia de forma anônima e até enviar vídeos, áudios ou imagens para comprovar o assédio. Há, ainda, espaço para a descrição da coação, com exemplo de texto: “o patrão, gerente ou chefe me pressionou a não votar em tal candidato” ou “me ofereceu vantagem financeira para votar em fulano”.
Mas a maior ameaça envolve o emprego do assediado. “A única coisa que um trabalhador tem na vida é o emprego; se o perder é o flagelo total”, destaca Nobre. Segundo o dirigente, trabalhadores têm relatado vários casos em que grupos de funcionários são reunidos para ouvir o chefe dizer em quem devem votar e ameaçar com perdas do emprego e até fechamento de empresas caso a orientação não seja seguida. “Patrões sempre tentaram influenciar no voto dos trabalhadores, mas de forma mais subjetiva. Desse jeito e nesse volume é inédito”, afirma Nobre.
Ao fim da sessão plenária de julgamentos, ontem, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moares, destacou que assédio eleitoral em local de trabalho é passível de punição. Segundo ele, representantes do Ministério Púbico Eleitoral e do Ministério Público do Trabalho informaram o registro de mais de 430 representações sobre assédio eleitoral. Por meio do seu site, o TSE informa que os representantes dessas instituições entendem “a necessidade de atuação conjunta entre a Justiça Eleitoral e o Ministério Público, com trocas de informações e inteligência.
“Se não houver um sinal imediato e mais forte das instituições para coibir os que, de forma criminosa, estão obrigando os trabalhadores a votar em Jair Bolsonaro (PL), essa onda de assédio pode influenciar no resultado da eleição”, disse Nobre durante entrevista à “Lusa”, agência de notícias de Portugal. Segundo o presidente da CUT, trata-se de um problema “sem precedentes na história das campanhas eleitorais”. Com base em dados do MPT, a CUT informa que os três Estados da região Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pela ordem, lideram o número de denúncias de assédio eleitoral.
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