CUT abre canal para receber denúncias de assédio eleitoral em local de trabalho

CUT abre canal para receber denúncias de assédio eleitoral em local de trabalho

Publicado em 20 de outubro de 2022

Para o presidente da central, Sérgio Nobre, coação pode influenciar no resultado do segundo turno. O trabalhador pode se identificar ou fazer a denúncia de forma anônima.

Em menos de duas semanas, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) já recebeu 101 denúncias de assédio eleitoral no local de trabalho. A essas se juntam mais 44 recebidos esta semana por outras centrais, como Força Sindical, UGT e CTB. Por meio de canais de denúncia, criados em seus portais, o movimento sindical criou uma ação conjunta para encaminhar os casos ao Ministério Público do Trabalho. O presidente da CUT, Sérgio Nobre, teme esse tipo de assédio possa influenciar no resultado da eleição do dia 30.

As esquipes das centrais estão reunidas hoje para atualizar números e verificar a origem de cada denúncia. Para os dirigentes, a soma desta tarde, de 145 casos, tende a aumentar.

O canal de denúncias da CUT entrou no ar no dia 7. O trabalhador pode se identificar ou fazer a denúncia de forma anônima e até enviar vídeos, áudios ou imagens para comprovar o assédio. Há, ainda, espaço para a descrição da coação, com exemplo de texto: “o patrão, gerente ou chefe me pressionou a não votar em tal candidato” ou “me ofereceu vantagem financeira para votar em fulano”.

Mas a maior ameaça envolve o emprego do assediado. “A única coisa que um trabalhador tem na vida é o emprego; se o perder é o flagelo total”, destaca Nobre. Segundo o dirigente, trabalhadores têm relatado vários casos em que grupos de funcionários são reunidos para ouvir o chefe dizer em quem devem votar e ameaçar com perdas do emprego e até fechamento de empresas caso a orientação não seja seguida. “Patrões sempre tentaram influenciar no voto dos trabalhadores, mas de forma mais subjetiva. Desse jeito e nesse volume é inédito”, afirma Nobre.

Ao fim da sessão plenária de julgamentos, ontem, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moares, destacou que assédio eleitoral em local de trabalho é passível de punição. Segundo ele, representantes do Ministério Púbico Eleitoral e do Ministério Público do Trabalho informaram o registro de mais de 430 representações sobre assédio eleitoral. Por meio do seu site, o TSE informa que os representantes dessas instituições entendem “a necessidade de atuação conjunta entre a Justiça Eleitoral e o Ministério Público, com trocas de informações e inteligência.

“Se não houver um sinal imediato e mais forte das instituições para coibir os que, de forma criminosa, estão obrigando os trabalhadores a votar em Jair Bolsonaro (PL), essa onda de assédio pode influenciar no resultado da eleição”, disse Nobre durante entrevista à “Lusa”, agência de notícias de Portugal. Segundo o presidente da CUT, trata-se de um problema “sem precedentes na história das campanhas eleitorais”. Com base em dados do MPT, a CUT informa que os três Estados da região Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pela ordem, lideram o número de denúncias de assédio eleitoral.

Fonte: Valor Econômico
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