26 maio Decisão de Moraes que negou vínculo para motorista de aplicativo foi ‘equívoco’, diz Marinho
Decisão de Moraes que negou vínculo para motorista de aplicativo foi ‘equívoco’, diz Marinho
“Nós vamos conversar com o ministro para sensibilizá-lo de que não é a decisão mais adequada. O ministro tem sensibilidade para isso, é um processo que pode ser revisto”, disse o ministro.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, voltou a defender hoje a regulamentação dos entregadores e motoristas de aplicativo. E, criticou, na esteira dessa causa, a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou a existência de vínculo empregatício entre um motorista e a empresa Cabify.
“Acho a decisão, com todo respeito ao ministro Alexandre de Moraes, um equívoco”, afirmou. “Evidente que o Ministério Público vai entrar com recurso. Nós vamos conversar com o ministro para sensibilizá-lo de que não é a decisão mais adequada. O ministro tem sensibilidade para isso, é um processo que pode ser revisto.”
Moraes entendeu que existem outras formas de relação de trabalho além da CLT – caso da terceirização, por exemplo. Também tirou o processo da Justiça do Trabalho e o remeteu para a Justiça comum, movimento criticado por Marinho. “Se for assim, manda fechar a Justiça do Trabalho”, alegou.
Segundo o ministro, o governo reunirá empresas e representantes dos trabalhadores de aplicativo no dia 5 para formalizar a criação do grupo de trabalho sobre o tema. Até aqui, o ministério vem mantendo conversas com as duas partes de forma separada.
“O que é preciso garantir é a proteção social acima de tudo. Hoje em dia, eles [trabalhadores] não têm uma proteção ao sofrer um acidente, uma doença”, apontou.
O ministro disse ainda que é preciso esclarecer e padronizar qual é a atividade econômica dessas empresas, além de impor transparência à forma como é feita a remuneração dos trabalhadores.
Marinho participou do evento “Dia da indústria: perspectivas para o futuro do trabalho”, organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Com outras autoridades e figuras da sociedade civil, recebeu a Medalha do Mérito Industrial do Rio de Janeiro.
Ao abordar a reforma trabalhista, o ministro não falou em revogação, mas defendeu “repactuar” pontos como a negociação individual do trabalhador com o patrão, que, segundo ele, criou uma “perversidade” no mercado de trabalho.
“Acho que a reforma trabalhista trouxe mecanismos que trouxeram certa insegurança jurídica, sobretudo no que envolve a negociação do indivíduo em vez da coletiva”, disse. “Essa liberdade para o indivíduo negociar com o empregador que muitas vezes nem conhece não me parece factível de ser realizada.” Aqui, defendeu a necessidade de reforçar os contratos coletivos de trabalho, via sindicato.
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